segunda-feira, 21/04/2014

 

funnyface
Não são necessários muitos cliques para perceber que os casacos cor-de-rosa invadiram o ‘street’ style internet afora (e falo aqui em porta de desfile mesmo, já que na ~vida real~ ainda não se viu a tal hecatombe pink). Os tons da trend são frios – não se apeguem ao título desse post, só queria fazer trocadilho com o filme -, porém mais rosados do que a cor de 2014: o Orquidea Radiante.

A cor foi eleita pelo sistema Pantone e remete a inovação, por ser da família dos roxos. Além disso, tem a ver com criatividade e exclusividade. Mas é melhor esquecer esse último adjetivo, a previsão é que nesse inverno as lentes ~fashionistas~ não vejam nada que não seja cor-de-rosa… ou orquidea radiante, ou rosa shocking, ou qualquer assemelhado.

“O rosa forte é a cor tradicional do amor romântico, tanto sexual quanto emocional. Quanto mais branco é acrescentado (pureza, inocência), o conteúdo sensual diminui até desaparecer”, explica Alison Lurie, no livro A linguagem das Roupas. A autora acredita que esse seja o motivo dos tons mais claros serem preferidos especialmente por meninas, pré-adolescentes e mulheres mais velhas, “que supostamente sentem um forte afeto mas não paixão”.

Não sei, só sei que tenho amado vários looks por aí e ando cobiçando o meu.

 

Ari Seth Cohen do blog Advanced StyleAri Seth Cohen, do blog Advanced Style (em foto postada ontem no seu Instagram)

<3

Helena Bordon at Peter Som

Heleninha Bordon, em fevereiro, na New York Fashion Week

<3

lorde pink lookA cantora Lorde

<3

Preetma SinghPreetma Singh, ex-advogada, atual bloguete e detentora do meu look favorito

<3

casaco rosaO street style de uma bonitinha qualquer

<3

Julia Sarr-JamoisJulia Sarr-Jamois, ex-modelo, atual-it-girl (e uma das minhas favoritas hoje)

<3

chiara blond salad casaco rosaA salada loira de casaco Shrimps

<3

Chega logo frio! Chega logo casaco rosa em fast fashion daqui!

 


Por Priscila Vanzin em Modas com as
quinta-feira, 13/03/2014

ENJOYTODAY

 

Basta ler alguns posts ali embaixo pra saber que não, eu não estou no momento mais fácil da vida. Ao mesmo tempo, nunca me esforcei tanto para seguir em frente de um jeito legal. E foi lendo um dos blogs que eu mais gosto atualmente, o FÊliz com a vida (recomendo fortemente!), que conheci o projeto #100happydays e resolvi aderir – mandando às favas meus pudores com superexposição ;p.

A ideia consiste em: postar uma foto por dia que represente algo que te deixa feliz, seja uma pessoa, um lugar, um objeto, uma festa, qualquer coisa. E, gente, é óbvio que existem dias modorrentos que não precisavam nem existir (na minha vida super tem!), mas mesmo neles, se a gente pensar bem, sempre tem uma coisinha ou outra capaz de nos arrancar um sorriso. E é justamente para prestar mais atenção nesses gratos detalhes que resolvi ~aderir ao movimento~.

desafio 100 happy days

 

A partir de hoje, todo dia no meu Instagram vai rolar uma foto-faceira com a hashtag do projeto: #100happydays. Quem quiser conferir, pode me seguir por lá (@privanzin). A propósito, vou adorar se mais gente se animar e entrar nessa comigo! ^^ Ah, e de acordo com as ‘regras’, vale postar em qualquer lugar, seja Facebook, Twitter… e, para os mais reservados, rola até mandar para o pessoal do site .

 

envie uma foto do que te faz feliz

 

Para quem começou o ano com a meta de ~tentar sobreviver~, esse é um desafio considerável. Vou tentar fazer uns updates periódicos por aqui e vamos vendo no que dá. As perspectivas são bem animadoras…

 

por que 100 happy days

 

E, chega de lenga-lenga, taí o dia 1:

 

dia 1 - 100happydays

 

Como cês podem ver, tem nada de mirabolante.

 

Felicidade é pra ser compartilhada – ou postada, curtida, regramada…   :) :) :) :) :) :)

 


Por Priscila Vanzin em Dear Diary com as tags:
sábado, 08/03/2014

Passei boa parte da minha vida achando besteira essa coisa de dia da mulher. Fui criada por uma mãe que é pura força, mais foda do que a infinita maioria dos homens que eu conheço, e por um pai que achava isso o máximo. Por muito tempo, pensei que essa coisa de preconceito de gênero era pura bobagem. Só que não é! Ele ainda existe e o mundo (infelizmente) não é tão legal quanto aquele que eu vi dentro de casa.

Por isso, os últimos 8 de março têm sido um pouco irritantes pra mim. Me dói perceber o quanto as próprias mulheres desvirtuam a data, não por acharem que ela é desnecessária, mas por já terem absorvido (inconscientemente) esse mesmo preconceito de gênero – que dentre tantos equívocos, reduz a mulher a mero adorno -, cuja existência no mundo eu demorei pra perceber.

 

Tá, mas indo pr’onde quero chegar…

 

Acabo de ver essa imagem no instagram da Elle Brasil:

 

elle loucona

 

 

Acho que todo mundo sabe, mas não custa lembrar: a Elle é uma revista de moda, não própriamente uma revista feminina, mas seu público é formado, em sua maioria, por mulheres. Mulheres que gostam de moda. Aliás, eu sou mulher e gosto de moda. E também acho Coco Chanel uma baita inspiração. Mas, se essa frase é mesmo dela, foi dita num momento de pouca lucidez – e nem de longe me parece adequada pra representar um 8 de março.

Além de gostar de moda e ser mulher, sou jornalista. E depois de muito desejar ~fazer meu nome~ no ‘glamurizado’ jornalismo de moda, vejo que do jeito que está hoje, esse universo não é pra mim. Ser mulher é bem mais do que saber se vestir ou conquistar marido. Sempre foi! Por mais que a imprensa e a publicidade tenham ignorado o fato nas primeiras décadas do século 20 (meu exemplo de supermulher acabou de completar 67 – e ela ainda me parece bem mais moderna do que boa parte das jovens formadoras de opinião-fashion por aí).

Isso aqui é puro desabafo e talvez soe como exagero. Mas hoje é dia de overdose de “homenagens” nas redes – e por certo ainda vai ter muita tosquice por aí.

Finalizo com um card engraçado (e bem mais legal!), publicado na página da Revista Bula, que rebate bem a bobice acima:

 

 

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Feliz dia da mulher pra todas as maravilhosas que ralam muito pra levar uma vida bacana . :)

 


Por Priscila Vanzin em Dear Diary com as
quarta-feira, 05/03/2014

 

Quarta-feira de cinzas, sempre tempo de piada chata pra dizer que o ano começou no Brasil.

Fato é que agora a coisa realmente engrena (esperamos!).

Em tempo, Chanel é pura carne e coração de carnaval.

 

trappppo

 

 

Sem esquecer, é claro, da vida real.

 

chanel fall 2014 trapo 2

 

Ao trabalho, trapete.

 


Por Priscila Vanzin em #trapotips com as
terça-feira, 21/01/2014

ramones

 

O último show do Ramones foi em 1996 e eu duvido muito que a ‘nova’ MTV ou qualquer rádio brasileira esteja tocando suas músicas com maior frequência hoje. Contudo, só sendo cego para ignorar o vertiginoso crescimento de djóvens vestindo camiseta da banda por aí. Do blog da Thássia às garotas do Rock in Rio, passando pela vitrine da Renner  - que me surpreendeu hoje pela variedade de modelos com o respectivo símbolo (vide minha foto acima), todos beirando as 100 realidades -, Ramones tá super usando. E toda essa introdução estilo chuva-no-molhado era só pra dizer que eu acho bem ótimo.

Tenho fé na humanidade e certeza de que boa parte desses ávidos, e impúberes, consumidores acabará dando um Google e descobrindo essa bandinha bacana. Eu até já fui um deles. Mas, em vez de Google, pensem em alguma loja de CD com vendedores de boa vontade para ajudar uma adolescente obcecada pela possibilidade de ouvir mil vezes a música I Wanna Be Sedaded, lindamente cantada pelo tão-lindo-quanto Jordan Catalano, interpretado pelo ainda-mais-lindo-hoje, Jared Leto, em My So-Called Life (ou Minha Vida de Cão, rs, obg SBT).

 

 

Seja na vitrine da Renner ou em seriado teen noventista, será que vale julgar  a ~porta de entrada~?

Aos iniciados e iniciantes, minha dica é aposentar sua camiseta por um tempo, substituir por uma regatinha dry fit, subir em uma esteira e por a tocar Ramones nos fones, em volume máximo – é das coisas mais animantes pra vencer os intermináveis milésimos de segundo em qualquer corridinha. ;)

E se acharem que nada a ver escutar ças-banda-veia, tem bloguete que já fez serviço bem mais completo que esse, aqui.


Por Priscila Vanzin em Modas com as
quarta-feira, 15/01/2014

jogo do contente pollyanna

 

A cada ano fico mais obcecada por Pollyanna e pelo Jogo do Contente. Quando a vida menos dá certo, eu começo a reler os livros, rever o filme. Porque sim, todo entusiasmo desse ~Shinyashiki de Saias Juvenis~ já foi pra telona, por conta da Disney (!). A propósito: acho curioso que várias pessoas estranhem o fato, eu lembro nitidamente de passar tardes vendo essa maravilha na televisão -  e falo de uma infância pré tv a cabo, obviamente. #balzacapride

Contextualizando: A escritora americana Eleanor H. Porter escreveu dois livros: Pollyanna (1913) e Pollyanna Moça (1915). A história do primeiro livro deu origem ao filme da Disney, de mesmo nome, lançado em 1960, com figurino bem elaborado, a la Belle Époque.

Se você nada/pouco sabe sobre essa it girl da autoajuda teen, veja o filme, LEIA O LIVRO universo em desencanto, só que não. Deixa que eu resumo as regras do jogo aqui mesmo.

 

A origem do jogo

Pollyanna era órfã de mãe e filha de um ‘ministro protestante’ bem pobre. Ela foi criada pela ‘Auxiliadora Feminina’ (não me perguntem o que significam esses termos exatamente, me limitei a copiar o que diz Monteiro Lobato, tradutor da versão que li). Então, acontece que, ainda criança, ela pediu uma boneca e esperou que viesse numa das ‘barricas de provisões’ que eram enviadas mensalmente ao tal ministro. Mas, em vez disso, ela ganhou um par de muletinhas e se pôs a chorar.

 

O jogo do contente

Foi quando o pai lhe ensinou que o melhor jeito de viver contente era procurar qualquer coisa alegre em tudo que acontecesse. “Vieram muletas? Ótimo. Deveria ficar contente de não precisar de muletas”. E foi aí que o jogo começou a ser jogado.

 

Jamie, outro bom jogador

Em Pollyanna Moça, ela arranja um BFF bem no estilo ~boba-alegre~ dela.  O menino Jamie também é craque em ver as coisas com bons olhos.

 

O Jolly Book

Tanto que cria o Jolly Book, que nada mais é do que um caderninho onde ele escreve as coisas positivas que acontecem em sua vida. “Se a gente não passa fome de vez em quando, não pode saber como é gostoso um copo de leite”, taí uma das quotes do menino.

 

 

seja gentil com voce

 

 

A vida real (e adulta)

Sim, se você achar tudo isso meio besta, é bem provável que tenha razão. Mas, no fim da contas – pelo menos pra mim – fica a ideia de que tudo na vida pode ser encarado de um jeito mais fácil. Sem mimimi ou lamentos. Há coisas lindas em cada pedacinho dos nossos dias agitados/cansativos/estressantes que acabam passando despercebidas quando a gente insiste em focar no que há de errado.

 

Polianize-se. <3


Por Priscila Vanzin em Trapetes que inspiram com as tags: , ,
sábado, 04/01/2014

pai

 

Meu melhor amigo foi embora, faltando 3 dias pra acabar o ano 13, o pior desses 30. Foi sem muito tchau. Fazendo graça. Zero lamento. Tudo bem resolvido, em paz. Guerreiro que só. Deixou em mim um pedaço dele. Meu pedaço mais bonito, das melhores memórias.

É como se minha Cecizinha vermelha perdesse de novo as rodas de apoio – dessa vez sem ninguém pra me dizer que eu não precisava mais delas. Agora, se eu cair por correr demais, choro e levanto, ‘não sou filha de pai assustado’.

Sou só amor e gratidão. Pelas três décadas de existência em um comercial de margarina, mas com todos ~defeitos especiais~ que a realidade tem. Por todo carinho e orgulho que via naqueles olhos verdes, cuja réplica terei pra sempre no reflexo do espelho. Por aprender com ele que a vida é pura piada e só nos resta rir dela.

Essa vida, que me foi tão bem ensinada, agora segue. Fica a certeza de que toda a força (surpreendente!) que sinto em mim tem remetente certo.

 

Coraggio pai, fica em paz. <3

 


Por Priscila Vanzin em Dear Diary com as tags:
domingo, 17/11/2013

genoino

 

(Esse texto mescla fatos de conhecimento público com histórias e opiniões pessoais dessa que voz fala e, não por coincidência, também paga pela permanência dessa url no ar. Qualquer um que, porventura, se sentir ofendido com o que aqui está dito… que resolva a questão consigo mesmo, terapia é sempre uma boa pedida. E, sim, esse título é puro marketing das modas,  assunto que – já está na hora de reconhecer – pouco é tratado nesse humilde espaço.)

 

O jornalismo não é isento. E essa, pra mim, é uma discussão tão boba que nem merece eco. Apesar de, ainda no colégio, minhas aulas de ~estudos rio-grandenses~ terem sido dadas por uma petista fervorosa (e, claro, evangelizadora – ou vocês acham que a falta de isenção existe só na imprensa?), minha principal motivação por já ter votado no PT algum dia foi justamente uma reportagem da VEJA (!). Lá pelos idos de 2002. Pré-eleição do Lula. Eu: uma recém cidadã portadora de título eleitoral, estudante de Direito que odiava o curso mas acreditava que o certo é o certo,  a lei é a lei e talecoisa. Continuo igualzinha, btw ;p.

Entre todos os possíveis problemas do candidato, o texto exaltava uma importante qualidade: não havia histórico de corrupção no partido – claro que, até então, ele nunca havia estado, de fato, no poder (leia-se: presidência dessa complicada república).

Acontece que, desde 2005, quando Roberto Jefferson jogou o mensalão no ventilador, passei a votar nulo ou no PSOL. Esse, um partido dito ‘de esquerda’, formado basicamente por dissidentes do PT, com o qual ainda me identifico. Enquanto isso, o amado pai do bolsa família (medida paliativa, ora eterna, com a qual eu – em parte, – até simpatizo), de nada sabia. Nunca soube. Aliás, mais do que a tão falada origem humilde, essa ingenuidade toda sempre me pareceu o detalhe mais curioso de sua, surpreendente, trajetória política.

Semana passada, oito anos depois, os CONDENADOS, finalmente se apresentam à Justiça. Exceto pelo foragido ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, que está dando uma relaxada na Itália. E eu, de novo, me surpreendo com a reação dos afiliados do partido (que bem poderia se chamar fã-clube) dos trabalhadores. Os josés agora são estrelas e, como tal, as primeiras a se apresentar.

Genoino, deputado federal e ex-presidente do PT, aparece de cabeça erguida, fazendo alusão a um tipo esquisito de super herói, com a cortina de casa amarrada no pescoço, querendo pagar de mártir, embora vivo – bem vivo! Em plena democracia de 2013, ele se diz ‘preso político’ – coisa que de fato já foi, mas em um regime ditatorial muito diferente de hoje. Contra a ditadura, foi guerrilheiro, torturado nos anos 1970. Felizmente, desde 1997 tortura é crime hediondo. Corrupção ativa e formação de quadrilha ainda não. Empréstimos fraudulentos provam sua culpa. Os tramites do processo têm meandros mais complexos do que as incansáveis alegações vazias do homem-cortina. Espetáculo midiático? Pelo visto essa lição Genoino aprendeu, ao se enrolar num pano bordado com versos de Quintana:  ‘eles passarão, eu passarinho’. É, ninguém precisa ser cientista político, basta alguma memória, para entender que as coisas por aqui passam logo.

Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil, se entrega na sequência. A mesma empáfia, os mesmos gestos e a mais célebre de todas as quotes: ‘estou cada vez mais convencido de minha inocência’. Quando tiver consolidado esse seu palpite, me avisa. Ok, Zé? Se nem ele acredita, fica complicado comprar o discurso de ‘espetáculo midiático’. Nessas condenações, mais do que no jornalismo A ou B, as provas condenatórias estão nos autos do processo (único lugar no qual elas podem existir). Efetivar acordos prometendo vantagens com o suado dinheirinho que eu e você trabalhamos para ganhar é atitude exaustivamente provada nesse gigante processo. Em um discurso desesperado, de quem não tem muito mais o que alegar, Dirceu até diz uma baita verdade: ‘O povo brasileiro segue apoiando as mudanças iniciadas pelo presidente Lula e incrementadas pela presidente Dilma.’  O fã-clube segue, de olhos vendados, com devoção de causar inveja em muito santo milagreiro, é evidente.

Nada disso abalou ou vai abalar a popularidade real do partido ou da presidenta (que, assim como o antecessor, pouco se posiciona quando deveria). Já fomos e voltamos das ruas, a hashtag já saiu dos trending topics. Política é pauta batida. Enquanto isso, sinto que ficar feliz pela condenação dos mensaleiros, quase faz de mim uma ~reaça sem escrúpulos~. Acontece… Acontece enquanto eu pago meus impostinhos com dificuldade, para bem cumprir as regras sociais, mesmo sabendo que dele não será feito bom uso.

Nunca falei de política aqui – e pouco falo em lugar algum, justamente para não me incomodar. Mas há dias ando com isso engasgado. Não se trata de discurso ‘anti PT’, só quis expressar que corrupção é coisa que me deixa bem irritada, e ver alguma sanção para ela me provoca sentimento contrário. Todo mundo fez questão de instagramar sua ida para rua, e o assunto morreu. A meia-duzia que ainda se posiciona parece estar sofrendo uma espécie de SINDROME DE ESTOLCOMO, defendendo seus algozes com unhas e dentes.

Mais importante do que definir mocinho e bandido ou direita e esquerda, a gente deveria pensar mais na destinação do dinheiro público que, surpreendentemente, não é pouco nesse (rico, porém pobre) país. Tira-se uns da linha da miséria, mas o enriquecimento ilícito de outros continua rolando solto.

 

Os tempos mudaram e nossos problemas são outros. Bora superar a ditadura?


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quinta-feira, 31/10/2013

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Esse ano fiz um mês de oficina literária. Em um dos encontros, o professor perguntou pra turma qual era a palavra mais odiosa do mundo. Tenho tantos conceitos (e preconceitos) quando o assunto é língua, verbo, substantivo, adjetivo, palavra, texto etc. que na hora fiquei confusa e nem lembro o que respondi. Pensei melhor e minha eleita nem é do português – mas está por tudo… É ‘glamour’. Nada me soa mais vazio e besta.

Por ironia, glamour é um neologismo da palavra escocesa glammar (em português, gramática). Na Idade Média, pouquíssimos membros do clero sabiam ler e escrever e, muito menos, tinham conhecimento de gramática. O significado, obviamente, foi sofrendo modificações. Naquela época, grammar, do inglês, era encantamento ou feitiço. Mas, será que o termo não é usado até hoje para falar de algo que ninguém sabe ao certo o que é?

Na minha ~humilde~ opinião, a palavra glamour serve para agregar valor a coisa qualquer que sequer se sabe por que se quer. E isso me faz lembrar de outra: deslumbre.

Por alguma definição que encontrei pela web, deslumbre sugere uma ~turvação na vista, causada por excesso de luz ou brilho~. Ou seja, uma pessoa deslumbrada sequer consegue perceber com clareza aquilo que lhe é objeto de adoração. Ao contrário do deleite, que nomeia um prazer real, sentido no fundo do nosso coraçãozinho, deslumbre vê valor nas características externas. Sabe aquele sentimento ‘me disseram que isso é bacana, acreditei, saí por aí repetindo, mas não sei explicar o motivo’? Então, isso é deslumbre – ou um pouco de babaquice, vamos combinar.

Acontece que  todo mundo é um pouco deslumbrado, o que varia é só a medida. Ou vai dizer que não é per-fei-ta (!) a vida instagramada daquela menina rica, toda grifada, que passa uma semana em cada ponto turístico do mundo, ganhando coisas legais o tempo todo? Não? Então, parabéns. Quase ninguém lembra que, lá no fundo, todos têm problemas – e pela eterna pose monalisa-de-perfil, posso jurar que os Naves não morrem de orgulho da genética zacariana, por exemplo.

Só para contextualizar: escrevo esse texto no penúltimo dia de desfiles do SPFW, acompanhando muitos perfis online e percebendo que a cobertura de grandes publicações de moda se assemelham bastante aos registros das bloguetes (e vice-versa). Nessa simbiose toda, vejo algumas editoras de moda errando a arroba das colegas, mas acertando na mosca toda @it-alvo. Lembra da definição de deslumbre?

A bandeira da crítica, outrora em alta, já foi arriada sem dó. Obviamente, não espero análises profundas em real time, ‘apenas’ informação fidedigna, matéria-prima do jornalismo. Mais conteúdo, menos afetação, simples assim.

 

 

svendsen

 

 

Regras linguísticas ou indústria têxtil, tudo agora é arte oculta. Pobre Svendsen, gastou sua filosofia à toa.

 

p.s. A citação é do livro Moda: uma filosofia, de Lars Svendsen.


Por Priscila Vanzin em Fluxo de ideias com as tags: , , , , , ,
segunda-feira, 14/10/2013

Famoso por ter escrito as Crônicas de Nárnia, C.S. Lewis (1898 – 1963) foi um escritor, crítico, professor de literatura em Oxford por 29 anos e poeta irlandês. Ele também escreveu Os quatro amores, obra de não-ficção que explora a natureza do amor. O trecho abaixo inspirou esse quadrinho fofo do zenpencils.com.

 

To love at all is to be vulnerable. Love anything, and your heart will certainly be wrung and possibly be broken. If you want to make sure of keeping it intact, you must give your heart to no one, not even to an animal. Wrap it carefully round with hobbies and little luxuries; avoid all entanglements; lock it up safe in the casket or coffin of your selfishness. But in that casket — safe, dark, motionless, airless — it will change. It will not be broken; it will become unbreakable, impenetrable, irredeemable. The alternative to tragedy, or at least to the risk of tragedy, is damnation. The only place outside of Heaven where you can be perfectly safe from all the dangers and perturbations of love is Hell.

cs lewis

 

Sad but true.


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