Social trends
A moda é nude
23/08/10
O flerte entre moda e nudez provoca desejo
Mais do que qualquer montação conceitual, e mesmo em uma era pós-revolução sexual, a moda ainda consegue chocar com corpos desnudos. As marcas não precisam mais utilizar recursos como a sutileza ou a insinuação para expor seus produtos e identidade. Editoriais, campanhas publicitárias e capas de celebradas revistas têm, cada vez mais, explorado a nudez como forma de propor o novo.
Naked Supermodels
Tanto a objetividade quanto a permissividade da nudez estão sendo muito eficazes para o aumento das vendas e admiração dos consumidores, sempre ávidos por ousadia. Em se tratando de um mercado cada vez mais veloz e que demonstra claros sinais de saturação, buscar o novo é pré-requisito para a sobrevivência.
Lady Gaga sobrevive com o choque que causa a cada aparição, seja com looks montados, seja com looks enxutos, onde a própria pele é a protagonista.
Um dos momentos apoteóticos do último São Paulo Fashion Week, por exemplo, foi representado pela nudez frontal – até então inédita na semana de moda – no desfile da Neon. Sua profusão de pelos pubianos causou alvoroço e pareceu quase anti-nacionalista, afinal nosso país é famoso pelo Brazilian Wax.
A modelo precisou acrescentar um aplique de pelos pubianos para dar ênfase à ideia.
A nudez – mesmo sendo um contrasenso – impulsiona a indústria do vestuário. É o estilo de vida que está sendo ofertado, muito mais que uma peça de roupa ou acessório. Estilo de vida este, favorecido pelo interesse e curiosidade instigados pelo sexo. Como seres sexuais que somos, é quase impossível ficar indiferente a corpos nus e imagens fortes e provocativas. Somos levados a acreditar que o uso de certas marcas vai nos garantir o mesmo sex appeal dos modelos de corpos esculturais.
As campanhas estão cada vez mais atrevidas, abusando de criatividade e comprovando o quanto essa linguagem é lucrativa. Contudo, esse flerte entre a moda e o sexo vem acontecendo não é de hoje.
O fotógrafo Helmut Newton ficou conhecido por trazer a nudez e o fetiche para moda nos anos 1970, ápice de sua carreira que coincidiu com a plena efervescência do movimento feminista. Algumas feministas entusiastas até o acusavam, equivocadamente, de misógino. Ah, ledo engano… Helmut amava as mulheres e sua fotografia exaltava uma devoção inquestionável à beleza feminina. A seu modo sofisticado, ele quebrou tabus sexuais da época com suas musas sempre altas, curvilíneas, saudáveis e com seios fartos, o tipo de mulher que agrada o olhar e não representa o “padrão-cabide”, comum no mundo da moda.
A Diesel conseguiu criar uma campanha irreverente e quase não extrapolou o limite entre o sexy e o pornográfico, quase…
A marca Calvin Klein soube marcar sua personalidade com controvérsias. Desde Brooke Shields, ainda adolescente, e o “não há nada entre mim e minha calça CK”, a marca pontualmente tenta balançar as estruturas morais da América com campanhas altamente sexualizadas. Ora explorando o desejo, ora expondo corpos seminus, a CK soube transformar a nudez tanto em marca registrada quanto em lucratividade.
Aos 15 anos, Brook Shields exaltava sensualidade, mesmo estando coberta de roupas, para os padrões atuais.
Eva Mendes apimentando ainda mais a campanha de underwear da CK.
O estilista americano Tom Ford adora brincar com a nudez e carregar na dose de erotismo em suas campanhas. Em 2002, quando ainda era diretor criativo da Yves Saint Laurent, causou polêmica no lançamento do perfume M7, onde o produto aparecia ao lado do pênis do modelo, que, claro, estava nu.
Quem não compraria um perfume com cheiro de sexo?
O trabalho do fotógrafo Terry Richardson é outro sinônimo de buzz. O duo criativo entre ele e Tom Ford apresentou, na última campanha do estilista, imagens extremamente sexies e apelativas, nas quais a nudez frontal e o sexo explícito causaram até a proibição das fotos em revistas e jornais europeus.
Alguém ainda tem dúvida de que a nudez nos atrai enquanto o sexo vende?
Aliás, sexo não só vende como também é um terreno artístico-filosófico muito fértil (com trocadilho). Essa matéria foi escrita a quatro mãos e saiu na Unit Magazine N8. A Edição é um especial “Erótica” e está maravilhosa. Vale muito a pena conferir as outras matérias por aqui.
Fê. | @fernandajaques e Pri. | @all_ice
Somos todos inspired
11/08/10
Deus, que dizem ser o maior criador do universo, de vez em quando se perde na preguicinha e usa as mesmas referências para coleções distintas.
Ele já acertou bastante, fato.
Portanto, não podemos condená-lo tão severamente por seus erros, afinal, nem sempre respeitam suas criações, fazendo releituras baratas.
Suzana Vieira e Donatella Versace
A não ser que esses erros comecem a se tornar burrice, claro. 
Quando até Ele usa o “inspired”, o que esperar de suas criaturas?
Fê. | @fernandajaques
Questão de Gênero – Parte II
04/07/10
O gênero feminino evoluiu. Saiu da casca. Buscou atribuições em outros universos. Permitiu-se absolutamente tudo e, hoje, está mais amadurecido e menos ansioso em provar que pode. Aliás, provou que pode ser o que quiser sem perder a suavidade. É neste equilíbrio entre a força e a delicadeza que habita a mulher atual (e não só a mulher, mas, também, os gays que incorporaram características do feminino).
Le Smoking, 1966, por Yves Saint Laurent
Mas e quanto a eles, os homens tipicamente machos-alfa, provedores, testosterona puro? Como estão lidando com as atribuições do seu próprio gênero?
Creio que eles estão se reestruturando, de alguma forma. Tentam nos acompanhar (e todas as nossas novas exigências) e estão aprendendo, também, a usar a moda a favor disso. O rompimento de conceitos nunca será tão visceral quanto foi o nosso, até porque os homens nunca estiveram em uma situação opressiva e de submissão consentida, mas nem por isso menos interessante.
No último SPFW, João Pimenta fez sua estréia no evento trazendo justamente isso: um encontro entre os gêneros masculino e feminino onde detalhes delicados, cintura mais alta e ajustada, laçarotes, rendas e silhuetas-fetiche lembrando espartilhos ganharam uma forma viril e inegavelmente sensual. Essa coleção representou, no meu olhar, um novo homem. Sabe aquele cara que consegue ser sensível e protetor? Que chora em filmes dramáticos, que se importa com o que veste, que compreende o que se passa na nossa complicada cabecinha? Eu, pelo menos, imaginei esse homem ao assistir o desfile.
O emocionante desfile de João Pimenta
[Fonte: Portal FFW]
Apropriar-se do guarda-roupas masculino tornou a mulher segura para ganhar o mundo e lhe deixou natural e confortavelmente sexy. Por que com o homem seria diferente?
Lady Gaga (até segunda ordem) e Shirley Mallmann travestidas: sexy, heim?
Porque ao fazer a inversão e se perguntar se um homem trajando peças do guarda-roupas feminino seria sexy para o nosso olhar a resposta é que, provavelmente, não seria.
A gente só ia conseguir ver um homem travestido de mulher, o que é até engraçado e divertido, pelo menos aqui, na sociedade brasileira, de valores ainda tão engessados.

Na Europa alguns já aderiram. Conseguem imaginar um brasileiro, típico pai de família e executivo de uma grande empresa usando scarpin com meia calça?
E talvez seja isso que justamente falte aos nossos homens: um pouco mais de liberdade para ser e um pouco menos de obrigação em parecer. Por outro lado se a gente levou séculos para adquirir esse “direito”, não dá para querer que tudo seja para ontem. Mas a jornada já teve seu início, com isso podemos contar.
(Parêntese para Marc Jacobs, que é lindo, muito sexy e usa saias – mas comporta a homossexualidade, o que não faria dele uma exceção dentro do meu discurso).
Ai ai…
[Fonte: Delírios de Fashionista]
Fê. | @fernandajaques
Slow fashion, Slow blogging
18/06/10
O mundo está cada vez mais veloz e percebemos o tempo como mais reduzido a cada dia. Ninguém tem tempo. NUNCA. Ou a gente trabalha mais do que deveria, ou a gente se obriga a fazer um monte de coisas para não morrer de ansiedade tentando acompanhar o ritmo dos que nos cercam.
A única coisa capaz de nos fazer parar é uma crise: ou externa, ou interna (no caso de uma doença ou pane geral em nosso sistema).
O mundo parou depois do 11 de setembro, aquele. O mundo parou em 2008 quando os Estados Unidos quase foram à banca rota (percebem um padrão? sempre Eles). Foram os dois últimos fatos, me ocorrendo agora, que fizeram o mundo desacelerar e olhar para si mesmo com uma cara de “o que estamos fazendo?”.
Não foi à toa que logo após o pico da última crise econômica, em meados de 2008 (pelo menos o setor que eu trabalhava sentiu os efeitos logo de cara), começou a se falar em Slow Fashion. Um conceito baseado em qualidade sobrepondo à quantidade que valoriza produtos feitos à mão e sob medida, entregando ao consumidor peças únicas, mais duráveis e atemporais, contrariando “tendências” que duram apenas uma estação.
Estabilizada a crise, a moda ainda percorre seu ciclo de uma maneira very fast. Dos desfiles para as araras em 24 horas. Das araras para as ruas em 48. Para autenticar esse ritmo acelerado, os blogs acompanham as novidades com olhos atentos (às vezes, vários pares deles) e trazem para as massas lançamentos, imagens, merchandising e opiniões.
Sinceridade? Eu não leio mais blogs que postam mais de um texto por dia. Eu não leio mais blogs que postam todos os dias. Fico extremamente angustiada em ver tantos produtos, tantos looks, tantas promoções, tantas opções. Essa avalanche informativa não ajuda ou influencia meu poder de compra e muito menos minhas escolhas por determinadas marcas (aliás, algumas netnografias já apontam que amigos virtuais tem quase 0% de poder de influência na escolha e compra de produtos).
Eu gosto de ler. Prefiro ler textos longos e bem escritos, daqueles que ficam marinando por um dia ou dois. Mesmo que isso não permita ao seu autor postagens diárias. Gosto de textos revisados, corrigidos, relidos. É uma pena que a linguagem dos blogs seja tão mini, tão visual. Imagens são belas e me fascinam. Algumas montagens até fazem conexões inacreditáveis entre décadas, pessoas e por aí vai. Mas são minorias.
Fico feliz de conhecer algumas dessas pessoas com conteúdo de moda mais heavy que, mesmo quando usam apenas imagens, conseguem transpor idéias próprias e não apenas divulgar produtos com a mesma rapidez que eles surgem e desaparecem.
Assim como o slow fashion, eu gostaria de presenciar um movimento de slow blogging: textos mais perenes, atemporais e de qualidade. Bem pensados, costurados e escritos.
Fê. | @fernandajaques
O primeiro seguidor
01/06/10
Nas primeiras aulas do curso de cool hunting, assistimos esse vídeo sobre “tendências”. Creio que o objetivo da agência que adaptou o vídeo seja falar sobre o contágio e comportamento através das social media, mas não é muito diferente dos caminhos que as tendências de moda seguem. Basta um seguidor para o novo e boom, está feito o movimento.
Quem é mais corajoso: Quem inova ou quem multiplica? Qual a importância de um lançador de tendência se não houver um seguidor? Será que ele existiria?
Assista o vídeo por aqui , vale muito.
Fê. | @fernandajaques
Verdades e Mentiras
11/05/10
O estilo não muda a cada seis meses, ele se constrói ao longo de uma vida. Estilo é moda com alma, a essência é sempre a mesma. (Dudu Bertholini)
Antes de correr até a próxima farmácia para comprar esmalte azul fosco, sendo que você sempre adorou o vermelho brilhante, respire dois segundos e pense.
Pense sobre quem você é.
O Dudu (íntima) da matéria abaixo é um cara exêntrico, não podemos negar. Não tem medo de parecer ridículo ao olhar dos outros, como ele mesmo diz. E mesmo que ele parecesse ridículo mesmo, que diferença isso ia fazer?
Pois existe uma grande verdade por trás da roupa exagerada que ele veste, dos cabelos bem cuidados, dos brincos, sedas e turbantes. Essa é a verdade dele e ele consegue transmiti-la através da roupa: extravagante, exuberante, esbelto, esperto e muitos outros adjetivos (talvez todos com E, de Eduardo).
Eu usaria o que ele usa? Nem pensar. Não é a minha verdade. Não é a minha representação simbólica, é a dele e só dele.
Assim como eu também não usaria, e não uso, um milhão de coisas “modernas” que surgem a cada dia. Não gosto, não uso. E daí se eu gosto de vestido rodado e não saia tulipa? E daí se eu curto cabelo comprido? E daí se eu uso o mesmo batom rosinha há anos? Grande coisa a-do-rar petit pois mil vezes mais que o supertrendy xadrez.
Então o que eu faço? Deixo de ser eu para ficar na moda? Ou continuo com meus casacos de abotoadura dupla que uso desde mil novecentos e guaraná com rolha?
Por que pra usar o que está na moda basta copiar o que as Gossip Girls usaram no último episódio, não?
Agora ser moderno (ou contemporâneo, ok) vai um pouco além, não?
É se apropriar do individualismo permitido pelo consumo e ser quem diabos eu quiser ser em um exercício de autenticidade. E ter essa liberdade para ser autêntico também é poder manifestar uma vontade louca de querer casar e ter filhos.
Acho muito mais cool, moderno, pós-moderno ou hype (e o que mais você quiser chamar) poder falar sobre sexo e relacionamentos de forma franca, do que usar legging de lycra, cabelo colorido ou batom cor de Hipoglós e morrer de vergonha de tirar a roupa.
Esse é o momento onde a sua verdade não consegue se esconder.
Fê.
It girl ou patricinha?
08/05/10
O conceito it Girl vem sendo divulgado na blogosfera há bastante tempo, chegando a virar pauta em vários noticiosos vespertinos. Conhecidas como exemplo de estilo, essas mocinhas bem nascidas vêm inspirando muita gente pelo mundo a fora. O motivo? Ninguém sabe (ou quer) explicar. Mas, vamos aos fatos:
Ale Garattoni foi a maior responsável pela disseminação do termo no Brasil, através do http://itgirls.com.br/. Para ela, a principal característica de uma it girl é o carisma, ou seja, a capacidade de influenciar pessoas. Sorry, mas acho difícil comprar a idéia – que, a propósito, é bem cara. As principais representantes do estilo colocam a tal teoria por água abaixo.
No Brasil, Heleninha Bordon – filha de Donata Meirelles, diretora da Daslu – é o melhor exemplo de uma legítima it girl. Ela faz parte da terceira geração de mulheres no comando do maior império de luxo do país. A moça é responsável pala criação da 284 (segmento jovem da Daslu), ao lado dos irmãos Tranchesi. Sim, puro cari$ma.
A italiana Margherita Missoni tem um história bem parecida. Neta dos fundadores da Missoni (marca famosa pelos tricôs em zigue-zague), ela não é apenas herdeira, mas também embaixadora da marca no mundo.
Entre as americanas mas it’s está Olivia Palermo, filha de um milionário do ramo de imóveis, que acabou virando antagonista no reality-fake-show The City, ao lado de Whitney Port, uma blond-boring cujo pai é dono de uma empresa de moda jovem, a Swarm. Aliás, a precursora dessa onda de estagiárias da vogue foi Lauren Conrad, outra loirinha sem sal, alvo de muitos get the look pela internet. Essas duas, ao contrário da grande maioria, não são milionárias, nem possuem impérios, mas tiveram sua imagem muito bem construída pela MTV.
Poderia citar muitas outras dentro do mesmo padrão: looks clássicos, cores neutras, jóias discretas, uncle boots, comprimentos mini, cintura alta, maxi colares e, principalmente, marcas de luxo. E é esse o ponto que as une, todas conhecem muito bem os símbolos de poder econômico – aquela barreira invisível que limita a possibilidade de qualquer reles mortal fazer parte do time. No fim das contas, o que vemos é, tão somente, uma seleta legião de meninas desfilando com uma coleção de Birkins de todas as cores. E toda essa diversidade cromática me parece a principal diferença entre as novas its e as velhas patis – afinal, agora é brega combinar sapato com cinto e bolsa!
Pra quem não lembra, chapinha, mechas e bronzeamento artificial eram os hits de beleza nos anos 90. Hoje escova marroquina, luzes californianas e Spray Dior Bronze são as principais itens de “beauté” das its. Mudou muito? I don’t think so…
Mas como nem tudo que reluz é bracelete de ouro fosco, existe o lado B dessa história toda. Em Londres (como sempre) algumas it troublemakers vêm mostrando um pouco diversão fashion, ao contrário das coleguinhas corretas. Alice Dellal, Pixie e Peaches Geldorf, Daisy Lowie, até mesmo Sienna Miller fizeram escola com Kate Moss. Se elas servem de modelo de vida? Não, óbvio que não. Nenhuma delas, a propósito. E é esse o lado preocupante da coisa.
Com tantos modelos a seguir, tem muita gente esquecendo do que realmente gosta e de quem realmente é. Roupa é um dos grandes meios de expressão, mas em tempos de following e followers, acaba denunciando apenas quem se segue. E não existe receita de bolo que ensine a ter personalidade.
Pri.
Transgressão pasteurizada
05/05/10
Depois de ver milhares de Discípulas da Alice Dellal esfarrapadas por aí você anda pensando em aderir à tesoura. Porém, surge o velho dilema: vale a pena produzir sua peça-tendência em casa e correr o risco de ficar diferente do resto?
Pensando nas mocinhas fashionistas (?), que têm medo de apostar no DIY e acabar expressando alguma individualidade, a Trifil lançou a meia que já vem rasgada:
Minha avó acharia o fim dos tempos moça fina andar com meia-calça furada. Super concordo, principalmente quando o rasgo é “original de fábrica”.
Customizado-fake is the new LV by 25′march.
Pri.




































