Outside
Discutindo moda no papel
26/07/10
A blogosfera estava precisando de algo fora da sua esfera. No anseio pela novidade, um clássico foi reinventado: com um cheirinho de anos 90, mas mil possibilidades digitais.
Assim nasceu o Edição de Luxo, com essa vontade de andar na contramão (que o Trapo adora) e fazer diferente, pois o igual estava nos dando um baile de cansaço.
O espírito crítico deste blog nos trouxe a honra de fazer parte do segundo número do Edições de Luxo, este zine (sim, zine!) organizado pelo duo de luxo: Aline Botelho e Thiago Felix.
A segunda edição é um especial sobre crítica de moda na qual participamos com o texto “Criticar é preciso, a moda é imprecisa”. O zine ainda conta com a contribuição textual do estilista Dudu Bertholini e uma entrevista super bacana com Luigi Torre.
Fica nossa dica de leitura, para começar a semana com um olhar mais apurado e menos medroso sobre a moda e sobre o mundo, que de superficiais nunca tiveram nada.
Para seguir o zine pelo twitter: @edicoesdeluxo
Fê. | @fernandajaques
Teoria trendy
10/07/10
A pesquisa é super importante no processo de criação. Ela orienta o criador e o possibilita entender o que está no ar. Essas relações entre a coleta de dados orientadores e a produção industrial foi tema do último Design Mais – Macrotendências e Design, que aconteceu no último dia 8, no Moinhos Shopping (em Porto Alegre), e contou com a participação de Suzana Saulquin e Eduardo Motta.
O tema é super teórico, porém muito atual. Todo mundo adora indicar quais são as “trends” do momento. Com a autoridade de um importante detentor de conexão com a internet, qualquer um vomita o termo como forma de legitimar novidades (ou nem tanto). Afinal, se é novo, é bacana! Nesse cenário onde o in vira out no intervalo de uma semana, as previsões tomam uma proporção gigantesca. É preciso pensar lá na frente, para que o produto produzido hoje não esteja ultrapassado amanhã.
Dessa forma, é imprescindível que o designer seja, sobretudo, um intelectual, que busque informação o tempo todo. A criação surge de mentes inquietas, curiosas, que fogem do pensamento analógico e têm capacidade de construir pontes de sentidos entre os vários aspectos sociais.
No entanto, como bem lembrou Motta, “previsões são limitadas, é preciso retirar seu caráter autoritário”. Para se chegar a resultados mais interessantes, a intuição e a sensibilidade devem entrar na equação das trends, segundo ele. Ou seja, dados concretos dão suporte mas não dão a solução.
Mas, o que são afinal as macrotendências? Segundo o pesquisador, macrotendências são grandes movimentos de cultura. Já as tendências são recortes temporais, feitos sazonalmente. Para Susana, tendências de moda e tendências sociais são interessantes na análise do que se usa, quando se usa e como se usa determinado adereço.
A pesquisadora lembrou que a divisão “primavera/verão” e “outono/inverno” veio com a sociedade industrial, a partir de 1960. Naquela época, os ciclos duravam muito mais tempo. Hoje em dia, a divisão é vista da seguinte forma:
- Microtendências: duram 2 anos
- Tendências de médio prazo: duram 6 anos
- Macrotendências: duram 12 anos
Esses movimentos não englobam apenas moda, mas qualquer movimento social, como artes, música e literatura.
Quanto à moda, especificamente, ela pode ser traduzida em paradoxo entre experiência indivudual e produção massiva. “As pessoas se apropriam dos objetos de uma maneira única, imprimindo neles sua identidade”, apontou Eduardo Motta. Nesse sentido, a tendência atual é a produção para pequenos nichos, onde a identidade se traduz de forma mais expressiva.
Nada é exato, mas a pesquisa aponta caminhos importantes para os designers. Essa pesquisa de tendências é feita através de metodologias que transformam fenômenos de comportamentos socioculturais em informações e que servem para orientar o mercado, através de antecipações do que (provavelmente) está por vir, auxiliando na identificação de mercados emergentes.
Na próxima vez que você se deparar com aquela foto tirada de forma furtiva no provador de uma loja de fast fashion, em uma montagem poluída de photoshop e uma indicação “tem que ter”, vale lembrar que existe uma pesquisa gigantesca por trás do desenvolvimento de cada “tendencinha”.
Pri. | @all_ice
Design Mais – A moda como geradora de tendências
21/05/10
O Design Mais, evento da Escola de Design da Unisinos promoveu, no último dia 19, o debate “Design e Identidade: A Moda como Geradora de Tendências”, contando com a participação de Julieta Puhl e Laureano Mon, ambos argentinos e idealizadores do projeto Por La Calle, que pode ser melhor entendido por aqui, no texto escrito pela Pri.
À primeira vista, imaginei que se tratava de algo no estilo The Sartorialist, propondo um desenho da identidade de moda do país através do uso nas ruas. Para minha total surpresa e admiração, a observação da dupla se deu nas bases de criação.
Com uma perspectiva a partir dos designers de moda e pequenos artesãos, eles conseguiram costurar elementos em comum da criatividade argentina e encontrar, sim, uma cara para o que se desenvolve no país.
O mais surpreendente, talvez, foi a descoberta de que a maioria das criações de moda na Argentina – 75% segundo eles – não seguem as tendências de moda apresentadas pelo mundo. Menos cópia, mais criação.
E essa é a parte mais bonita disso tudo: saber que existe um país que se alimenta de inspirações locais, como a geografia, a arquitetura e os elementos históricos do imaginário coletivo para dar vida as suas criações têxteis. O resultado é uma utópica moda-arte, retratada em peças únicas que, mesmo sendo produzidas e inspiradas por diferentes locais, consegue se posicionar no mundo de formas semelhantes.
Gostaria de ver, no futuro do projeto, um mapeamento tão rico quanto, a partir dos hábitos dos usuários finais, para poder devolver aos designers informações tão fundamentais quanto as fornecidas por eles.
Só tenho a dizer o que todos dizem quando voltam de Buenos Aires pela primeira vez: “E é aqui do lado!”
Fê. | @fernandajaques
Moda Insights – Alexandra Farah
13/05/10
“Meu site poderia bombar de comentários e acessos se eu colocasse looks de estrelas e comentasse,
mas não é o que eu quero. Eu quero experimentar.” (Alexandra Farah)
Em 2003 ela criou a Mostra de cinema Filme Fashion, em 2006 o projeto virou site. Agora, essa jornalista mineira de essência cosmopolita também tem mostrando seu potencial jornalístico em uma coluna sobre moda no Jornal Brasil Econômico, além de produzir matérias para a Vogue RG. Tuiteira em tempo integral, Alexandra Farah descobre o que acontece no mundo através de links, ainda mais quando eles estão dispostos em algum gadget lançamento.
Alexandra é visivelmente inquieta, do tipo de pessoas que pensa em 327 coisas por segundo. Cada ponto que abordava era permeado por memórias e afetações espontâneas, que muitas vezes desviavam o foco. Mas, à sua maneira, ela consegue linkar vários assuntos diferentes e transformá-los num discurso único, com muito sentido.
A história do Filme Fashion começou dois anos após a formatura na faculdade de jornalismo, Alexandra – que nessa época já trabalhava na revista Cláudia – resolveu tirar seu ano sabático em Nova Iorque. Lá começou a comprar livros de moda e cinema, compulsivamente.
Depois de muito estudar sobre o assunto, ela resolveu transformar o resultado dessa pesquisa no projeto Filme Fashion, que é uma mostra de cinema, cujos filmes são escolhidos com base na perspectiva da moda. O projeto é patrocinado pelo Centro Cultural Banco do Brasil e já teve quatro edições, cujos temas foram estilistas figurinistas, musicais, cinema brasileiro e documentários.
Alexandra tem uma postura admirável em relação ao conteúdo do seu site. Ela não publica nada que não diga respeito à sua verdade. O espaço é usado para experimentação e não apenas para atrair acessos. Contudo, ela sabe que essa atitude dificulta que investidores apostem no veículo.
A empresa que patrocina determinado site não tem como mensurar o público que terá acesso a ele. O mercado tem uma visão muito simplista sobre o assunto. Quem tem 500 mil acessos diários é patrocinado e quem tem 200 não. Acontece que esses 200 talvez seja um grupo de forte persuasão, que possa disseminar a informação de uma maneira muito mais relevante, ela explica.
Ela ensina que hoje em dia todo mundo tem que ter blog. Quando alguém a procura pedindo emprego, ela não quer nem ver o currículo, já vai logo perguntando se o candidato tem blog. “É ele que mostra quem você realmente é, e do que gosta”, explica. Além disso, Alexandra ensina que o exercício da publicação desenvolve a habilidade da escrita.
Para demonstrar potencial jornalístico é essencial passar credibilidade. Não tem a ver com tamanho, tanto faz se é um blog ou um site, essa característica pode ser percebida até no twitter. Aliás, ela acredita que o site revolucionou a internet e se tornou uma ferramenta de muita utilidade. Hoje, a jornalista dispensa o contato intermediário com as assessoria de imprensa quando precisa se comunicar com alguma personalidade. Agora, tudo é feito diretamente com a fonte, através de um simples tweet.
Twitter é a revolução dessa década, por ser o primeiro site de celular, que é o veículo da atualidade, constatou. Definitivamente, o futuro não é em formato desktop e Alexandra já encomendou seu Ipad.
Pri.
Moda Insights – Gabriela leite / DASPU
13/05/10
“Confecção é coisa de pobre, queria criar uma grife.”
(Gabriela Leite, fundadora da Daspu)
Gabriela Leite é fundadora da marca Daspu, tem trinta anos de experiência no movimento em favor das prostitutas e também é autora do livro “Filha, mãe, avó e puta”. Carismática e piadista, ela iniciou sua palestra com tiradinhas ensaiadas, bem no estilo convidado-anônimo-do-Jô. Por repetidas vezes, Gabriela implorou para que fosse chamada de “puta”, pois tem orgulho de sua condição e batalha pelo extermínio do preconceito contra a classe.
Sua luta, segundo a própria, é pelo fim da hipocrisia social. As prostitutas devem ser vistas como qualquer outra mulher, em qualquer outra profissão.
O que é a Daspu?
Pelo que entendi, é um movimento que visa exaltar o orgulho pela profissão de prostituta.
As peças são todas terceirizadas, nada é fabricado pelas próprias prostitutas (ou “putas”, como preferir). Não existe interesse nem incentivo para que elas troquem a profissão de prostituta pela profissão de costureira. As meninas atuam como modelo e auxiliam na escolha dos croquis que serão produzidos por terceiros – porque costurar não é glamour!
A marca chegou a confeccionar um vestido de noiva a partir de lençóis usados em hotéis onde as moças fazem programa. A peça já recebeu certificado de obra de arte e está há dois anos viajando pelas bienais do mundo inteiro, segundo Gabriela. Procurei a imagem para ilustrar a obra artística. Mas o Google foi irredutível na pergunta “Você quis dizer: vestido de noiva daslu?”. Roupa é o que menos se encontra nos resultados da busca.
Como case de marketing – construído no mais puro acaso – a Daspu tem seu valor! No entanto, não se trata de uma marca de moda. É apenas uma organização que pretende disseminar uma idéia, alicerçada por uma cooperativa de costureiras que não ganha crédito algum pelo trabalho (mas tampouco cria design). A maior inovação no produto é inserir frases provocativas como “somos más, mas podemos ser piores” e “as mulheres perdidas são as mais procuradas”, no mais puro PUTA-PRIDE.
A repercussão do nome?
No início, mais precisamente em 2006, a Daspu era apenas um nome (genial, diga-se de passagem) e, pelo que entendi, até hoje continua sendo apenas isso!
Assim que começaram a divulgar a marca, a DasPU recebeu uma notificação extrajudicial da DasLU, para que deixasse de usar o nome que aludia à grife de luxo, em 10 dias, sob a alegação de estarem “denegrindo” a imagem da quase-homônima rica.
O ocorrido serviu como uma excelente mídia espontânea. E a Daslu acabou desistindo do processo.
Agora fica a dúvida:
Oferecimento do próprio corpo em troca de recompensa monetária VS. Apropriação de recursos alheios (leia-se: impostos – seu rico dinheirinho, leitor contribuinte!), com a finalidade de promover um império de luxo voltado para 1% da população brasileira – quem denigre a imagem de quem?
Nesse ponto eu defendo a putaria organizada!
P.S. 1. A palestra foi divertida, descontraída, fez todo mundo rir e tal, mas não acrescentou em absolutamente nada. Chegou a despertar em mim um espírito moralista (coisa que juro não ser!), em repudio a tal organização, cujo sentido, confesso, não entendi ainda.
P.S. 2. Se alguém achou tudo muito bacana, MESMO, indico o site da “putique” http://www.daspu.com.br/ (não recomendo a visita em ambiente de trabalho, mas certifique-se que o som do seu computador esteja desligado, em qualquer local ou circunstância).
Daspu é “grife” chique, já desfilou até na novela das 8 com as lindinhas da foto na primeira fila.
Pri.
Moda Insights – Vulgo
13/05/10
“Por não sermos grandes, temos poucas balas. Quando atiramos é para acertar.” (Vulgo)
Há alguns anos atrás, a dupla Felipe Pedri e Antonio Torriani largou a faculdade de publicidade e resolveu empreender. E, a partir do que se viu no Moda Insights, aposto que ambos teriam sido ótimos publicitários! Jovens, criativos e antenados com o que acontece no mundo, eles transformaram a Vulgo em um exemplo de posicionamento no mercado.
Sempre entendi a Vulgo como uma marca de camisetas bacanas (o que não deixa de ser… também!), mas depois da palestra percebi que existe algo maior por trás de todo hype da marca. Eles conseguiram transformar a Vulgo em um life style.
A marca foi criada 2003 e desde o início teve uma preocupação muito forte com sua imagem. Os guris definem a Vulgo é uma marca multimídia. “Produto todo mundo tem, ainda mais com a exportação da China” explicam. Mas, o que eles buscam é, principalmente, o diferencial.
No início as peças eram vendidas em lojas multimarcas, mas esse modelo não supriu as expectativas. Eles acabaram entendendo que precisavam apresentar o universo visual da Vulgo para seus clientes.
Em 2006, com a explosão do movimento de pop up stores, (lojas temporárias que buscam a atenção do público através de intervenções artísticas) a Vulgo resolveu abrir sua primeira sede nesse formato. Para isso, precisavam de um ponto de venda com fluxo. Escolheram a rua Padre Chagas (versão porto-alegrense da Oscar Freire).
Como bons (quase) publicitários, eles montaram um plano de abertura super criativo. Através de lambe-lambes, stencils e um vídeo produzido pela Zeppeling filmes , eles conseguiram provocar algum ruído e atiçar curiosidade.
A empreitada foi um sucesso, e a idéia que começou como uma pop up virou uma flag ship (loja modelo, sem prazo de validade). O objetivo não era apenas abrir lojas para vender roupa, eles queriam trabalhar o intangível, a atmosfera da marca.
Além do ponto de venda, a internet é também uma das principais ferramentas na construção dessa identidade. Os guris investiram em um site incrível – que, inclusive, já concorreu ao prêmio Abril – e conta com uma equipe que trabalha a comunicação da marca. Eles lembraram da importância do twitter, que proporciona ações direcionadas ao público certo – seus seguidores, na literal definição do termo.
Outro quesito importante, citado pelos meninos, foram as parcerias. Eles procuram unir forçar com pessoas que têm sites bacanas, que promovem festas, que movimentam a cena cultural da cidade. Chegando na pessoa certa é possível atingir milhares de outras pessoas, explicam. Parece que essa atenção especial ao co-brand tem sido proveitosa.
Porém nem toda parceria é interessante sob o aspecto de identidade da marca. Eles já foram sondados para colocar roupas na malhação e em novelas, mas recusaram a oferta. O motivo (super honesto): é muito mais bacana quando o ator global seja fotografado usando vulgo porque gostou da marca, não porque estão ganhando dinheiro para isso. Eles querem mídia espontânea e não fake.
A Vulgo se mostrou super consciente de sua identidade e com um total domínio sobre suas ações de marketing. No entanto, pouco se falou em produto – o que é uma pena, pois a criatividade da marca vai além das ações simpáticas e inovadoras.
Cada camiseta é um evento, se alguém ainda não conhece, fica a dica!
Pri.
Moda Insights – Helen Rödel
13/05/10
Com a aparência de menina, mas uma desenvoltura invejável de gente grande, Helen Rödel encantou ao contar sua história no debate sobre o diferencial competitivo gaúcho, que aconteceu no segundo dia do Moda Insights. Resgatando antigos costumes de uma maneira jovem e moderna, a estilista é hoje um dos grandes destaques do design de moda produzido em solo gaúcho.
Como qualquer trajetória interessante, a dela não é linear. Antes de encontrar seu caminho como designer, Helen cursou letras e publicidade (talvez seja essa a origem de tamanha articulação), porém acabou enveredando para a moda. Procurou cursos na área e logo começou a produzir suas próprias peças.
A primeira técnica escolhida foi a malharia retilínea, mas logo ela percebeu que não era bem isso o que queria. O método era complexo e caro. Portanto, comercialmente inviável!
No entanto, Helen fez do obstáculo um trunfo, e acabou optando por uma técnica pouco usual, o crochê. Ela transformou essa tradicional arte e deu sua visão, sempre com uma estética contemporânea. Através de um nicho bem definido, acabou tornando-se conhecida como especialista em crochê.
Helen enfatizou que estratégia é fundamental, para quem quer começar uma marca de moda. Os criadores devem ir se conhecendo ao longo do processo criativo, definindo sua identidade e assim traçar seus objetivos.
A premissa se confirma através de seu próprio case! A guria colocou a cabeça para funcionar e teve algumas idéias brilhantes e simples. Ela começou fotografando suas peças e postando o trabalho no Flickr, que acabou se tornando um sucesso, com fotos criativas e bem produzidas.
Cinco suéteres, criatividade, marido fotógrafo e nada a perder, foram suficientes para sua segunda ação. O casal contatou cinco meninas de diferentes lugares do mundo e mandou uma peça para cada uma delas, na condição que enviassem três fotos com o suéter em diferentes composições. As “modelos” ofertaram qual a verdade delas, agregando uma visão diferente ao trabalho da estilista, que somente poderia ser oferecido através de um olhar externo. Esse editorial rodou o mundo inteiro e virou referência.
A ação seguinte foi chamar um dos últimos lambe-lambe de Porto Alegre, uma amiga e fizeram um editorial com a câmera obscura dele.
O trabalho de Helen estava se propagando rapidamente na internet e acabou cativando um produtor de moda, que apostou no seu talento e a convidou para apresentar sua coleção na Islândia. Aproveitando o momento, no melhor espírito “faça uma limonada do limão”, eles tiveram a idéia de produzir um editorial no velho mundo,com modelos islandesas, com o fotógrafo e amigo, Eduardo Carneiro.
Recursos limitados servem para instigar a criatividade. Mas na internet, seu site tem o mesmo espaço que o site da coca-cola, lembra Helen. Democracia virtual parece ser o maior aliado dos novos criadores!
E o comentário final (e não lembro de quem foi a refinada ironia): “Helen precisou ir à Islândia para desfilar no Donna Fashion Iguatemi.”
A guria vai longe, pode apostar.
Pri.
Moda Insights – Juliana Laguna – Diferencial Competitivo Gaúcho
12/05/10
Juliana Laguna – que sabe muito sobre marketing de moda – conduziu o debate sobre o Diferencial Competitivo Gaúcho, que também contou com a participação de Helen Rödel e dos meninos da Vulgo (na seqüencia, tem post sobre cada um deles). Ela falou um pouco sobre as falhas e acertos de algumas empresas e apontou direções para quem quer construir uma marca de sucesso.
Logo no início, Juliana referiu a falta de diferencial competitivo, como uma das principais falhas no planejamento das marcas de moda.
Esse diferencial é construído através de uma vantagem objetiva, que pode ocorrer de duas formas: preço baixo ou diferenciação.
Essa diferenciação só existe quando é percebida pelo consumidor. De modo que as estratégias nesse ponto só terão sucesso quando fizerem sentido para os próprios consumidores e não apenas para a concorrência.
No geral, as marcas ainda não conhecem sua própria identidade. Falta saber quem se é, o que faz e para quem faz. Quando a marca descobre sua essência, e o que ela faz de diferente, fica possível tocar o consumidor. Assim, o sucesso é quase garantido.
Para exemplificar tudo isso, ela apresentou alguns cases:
Lojas Marisa
Há pouco tempo a Marisa lançou um vídeo - uma espécie teaser da nova coleção – que fez barulho na internet. As fachadas das unidades do Itaim e da rua Augusta, locais de grande movimento, foram cobertas por um tapume cor de rosa com um buraco no meio com a frase “Espie aqui e descubra o que a Marisa está preparando para você”. Olhando pelo buraco, o que se via era a imagem surpresa de mulheres trabalhando de lingerie na reforma:
Achou criativo? Curioso? Genial? Juliana fez o público pensar: o slogan da marca é “de mulher para mulher”. Porém, a ação foi mal direcionada. “Que mulher vai querer ver uma loira alta magra de lingerie?”, ela questionou. Se o slogan fosse “de mulher para homem”, talvez fizesse mais sentido.
A ação não teve a ver com a essência da marca. O diferencial competitivo dessa rede popular é o preço baixo. No entanto, seu principal erro foi não entender a própria identidade.
Hermés
A tradicional marca francesa (fundada em 1937) é um dos maiores símbolos de luxo do mundo. Famosa por seus lenços e bolsas, a Hermés está buscando o público jovem para revitalizar a marca.
No site existe um arquivo com vários modelos de bolsa Kelly, que podem ser impressos e montados. A idéia é super simples, mas aproxima o público da marca. Mesmo quem não tem condições de adquirir uma bolsa Hermes (tipo, 99% da população mundial) pode ter a experiência da marca.
A idéia é original, super simples e baratíssima! Confesso que a primeira vez que entrei no site da Hermes foi justamente porque queria conferir a tal bolsa de papel. Ou seja, funciona!
Outra ação muito bacana da marca, aqui no Brasil, aconteceu no último mês. Através de um happening com uma pegada artística – o Petit Journal de La Soie – já realizado em diversas partes do mundo, a marca pretende mostrar como as pessoas usam os tradicionais lenços de uma maneira atual. O evento ocorreu no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e contou com a participação de blogueiros conhecidos.
Havia uma instalação na FAAP, com vários lenços e gravatas de seda, onde a stylist Chiara Gadaleta era responsável por produzir os convidados de uma maneira moderna e inusitada. Todos eram fotografados e o resultado pôde ser conferido em uma exposição com as fotos em painéis espalhados pelo shopping.
Ação foi voltada para o público jovem, que conseguiu identificar e valorizar o que estava acontecendo. O evento fez um barulho muito grande na internet, o que ajudou ainda mais o alcance do target. Com uma ação simples eles valorizaram o conceito da marca, definiu Juliana.
Farm
Juliana trouxe esse case como exemplo de excelência em marketing de moda.
A marca não possui um produto diferenciado. Tem qualidade, peças bacanas, mas nada que não possa ser encontrado em outras lojas. Porém, a Farm encontrou uma linguagem muito de acordo com o público que pretende atingir, explicou.
As vendedoras, o blog (que é um sucesso, com mais de 15 mil acessos diários), as parcerias… tudo tem a cara da marca. Nenhuma ação é extraordinariamente criativa, mas a Farm soube se entender e definir quem é seu consumidor, construindo uma linguagem coerente em todas as pequenas ações.
A marca entendeu o que é, o que vende e para quem vende.
Lojas Renner
A marca gaúcha existe desde 1965 começou como varejão (há pouco tempo atrás vendia até roupa de cama), mas queria se tornar uma marca de moda, de fast fashion.
Para isso, fez ações simples, porém certeiras:
Patrocínio do Pense Moda: Se alguém não conhece ainda, precisa conhecer! Trata-se de um evento que promove palestras com gente muito bacana reunida para pensar em moda de uma forma inteligente, com conteúdo mesmo. Tudo é transmitido ao vivo através do site da Renner, com comerciais da marca passando nos intervalos. Uma ótima forma de aproximar a marca ao público que busca informação de moda.
A revista: Com uma linguagem jovem, a publicação trás a identidade da marca e mostra claramente seu objetivo de consolidar-se como uma fast fashion. Além disso, o conteúdo não perde para nenhuma revista
Preview de Coleção: No lançamento da coleção a Renner convidou vários blogueiros de sucesso, inclusive as meninas do Oficina de Estilo (que é um blog super acessado), que tuitaram durante todo o evento. Quem segue as dicas
A Renner faz pequenas ações, porém todas muito criativas, coerentes com o que se propõe. Nada é extraordinariamente criativo, nem tão caro, mas tudo muito certeiro. (Juliana)
<intervenção pessoal mode on>
P.S. Todo gaúcho tem alguma lembrança marcante da Renner, uma loja que vendia tudo, até serviço – os mais antigos (tipo, eu!) talvez lembrem que até cabelereiro existia na loja. Porém, o resto do país não faz idéia de que, antes de ser uma fast fashion com filial em São Paulo, a marca já existia há décadas.
Prova disso é a matéria publicada no site Chic, há alguns dias (é só clicar para aumentar a imagem):
Não acho que seja um equívoco específico do site – quando avisei pelo twitter eles arrumaram, mas não totalmente – parece que o país inteiro ainda acredita que nada existe antes que chegue em São Paulo. No dia seguinte, ainda no twitter, as meninas do @modamanifesto postaram essa foto:
Gaúcho que tinha carnê da Renner, continua tendo memória!
<intervenção pessoal mode off>
O mercado gaúcho
O que se vê é gente fazendo moda para gaúcho, pensando e agindo localmente. No entanto, “nenhum estado consegue se manter dele mesmo” e nesse ponto Juliana foi enfática, reforçando: “Temos que sair dessa bolha do Rio Grande do Sul e isso só se faz através de estratégia, de diferenciação”. A moda é global, por mais que tenha características específicas em cada região.
No entanto, quem começa no Rio Grande do Sul ganha o mundo. O consumidor gaúcho é famoso por seu alto grau de exigência, para quem consegue conquistá-lo o resto é fichinha. As marcas devem deixar de ser uma organização e se transformar em um organismo. É preciso se humanizar, tornar acessível, se aproximar do consumidor.
O design é importante, mas só isso não basta. Também é preciso pensar em estratégias de mercado e em posicionamento, ensina Juliana.
De uma forma muito didática e simples, Juliana conseguiu mostrar que marca nenhuma se sustenta apenas com criação. E para quem quer entender melhor esse universo marqueteiro, a dica é dar uma conferida no site da moça.
Pri.
Moda Insights – Neon
11/05/10
Dudu Bertholini e Rita Comparato são dois librianos que se complementam. Com apenas 15 dias de diferença de vida (fato que Dudu adora salientar), esses criativos se uniram para dominar o mundo da exuberância fashion. Colegas na Faculdade de Moda Santa Marcelina, a dupla aconteceu quase que por acaso. Enquanto Rita direcionava sua carreira para a modelagem, Dudu preferia dedicar toda sua criatividade para o styling. O primeiro trabalho em parceria surgiu no TCC da Rita, para o qual Dudu criou acessórios que reproduziam as linhas da modelagem – coerência é uma de suas principais características, desde sempre!
O segundo trabalho como dupla – este derradeiro – foi num editorial clicado pelo fotógrafo J.R. Duran. Dudu assinava o styling das fotos e chamou Rita para produzir algumas peças. Juntos eles fizeram dois maiôs de paetês e, a partir de então, resolveram levar a parceria a diante, confeccionando “maiôs para a cidade” – peças que permeiam suas coleções até hoje.
Era tudo muito artesanal. Cada maiô tinha uma modelagem própria, explica o falante (e gestual) Dudu Bertholini, que também deu a dica:
“Boa idéia é aquela que tem realização, comece com o recurso que tem em mãos, é esse o melhor caminho” – e quem melhor do que eles para indicar o melhor caminho?
A Neon iniciou com muito trabalho, mas sem expectativas megalomaníacas, demorando para se tornar a principal fonte de sustento dos estilistas. Eles encaravam a idéia como uma “opção criativa de trabalho”, um projeto alternativo para mostrar a cara com total liberdade.
Tamanha originalidade encantou Patrícia Fields, quando a Neon ainda engatinhava. A figurinista acabou comprando algumas peças, o que resultou em um show room em Nova Iorque (e em Tókio, na seqüência) além de um look na capa da revista Soma. Isso tudo apenas na primeira coleção!
Dudu e Rita tiveram mais ousadia do que pretensão. Contrariando a todos que só apontavam as dificuldades, eles resolveram criar estampas exclusivas na própria lycra. As primeiras pessoas que souberam da idéia acharam que eles estavam loucos, isso porque o tecido não aceita o silk tão facilmente. Mas o resultado foi excelente e o nome Neon também foi impresso na estampa, provando que a idéia da marca era possível.
Neon, na definição de Dudu, é um nome curto, simples e iluminado. Não é a toa que ele sempre acaba aparecendo nas peças, desde estampas até vazado em máxi-paetes.
Orgulhosos por resgatar a maneira artesanal de fazer estampas, eles chamaram vários artistas, cujos desenhos foram vetorizados e deram origem à estampas incríveis que já fazem parte da personalidade Neon. Nomes como Fabio Gurjao (famoso pela estampa de falcão usada no figurino de Ivete Sangalo) e Goya Lopes (expert na pintura à mão) já imprimiram sua arte nos tecidos da marca. Por possuírem um vasto acervo de estamparia, quando mudam o tecido os desenho são revisitados de forma inteligente e acabam ganhando uma cara totalmente nova.
Com um estilo autoral, a marca não muda a cada estação. Dudu explica que a mulher Neon tem “elegância com senso de humor” e Rita Comparato é a personificação exata dessa estética – com boca pintada, unhas em tons fortes, poses com a mão na cintura. O contraste é sempre presente!
A dupla cria todas as peças junta. No entanto, cada estilista tem uma função específica dentro da empresa. Dudu é o comunicador (tarefa que desempenha com evidente desenvoltura), ele sabe como ninguém como usar sua retórica nas vendas – Rita o apelidou de “Dudu BLABLAtolini”. Já sua parceira é mais prática, cuida da modelagem e foca no produto. Com personalidades que se complementam tão bem, a parceria não poderia dar mais certo!
Mas nem tudo foi tão fácil nessa trajetória. A Neon demorou para alinhar sua coleção de inverno à expectativa dos compradores. Eles enfrentaram várias dificuldades para inserir suas roupas no atacado, mesmo com desfiles sempre muito elogiados. Em meio a erros e acertos, duas mentes criativas – movidas pela mesma paixão por moda – tiveram que aprender como colocar sua marca no mercado.
Desde o início, seus desfiles sempre ocorrem em locações mirabolantes. O primeiro foi na casa do próprio Dudu, e mesmo assim contou com presenças ilustres como Costanza Pascolato e Carol Trentini no catwalk. O Teatro Oficina – que é a Meca do teatro hippie – também ajudou a criar a atmosfera ideal para que a marca se firmasse através de sua vocação étnica, chamando a “tribo da neon”.
Na coleção Verão/2005 eles apostaram no cruzamento da cidade com a praia, promovendo o contraste entre o formal e o informa, entre a sauna e a praia. Paletó com toalha na cabeça, um híbrido entre chinelo e mocassim deram o tom da coleção. Tudo com uma “elegância metida mesmo” definiu Dudu. Foi a primeira vez que usaram seda. No início achavam que era loucura, depois descobriram que essa seria a grande virada comercial da Neon. A partir daí as grandes boutiques começaram a entender e comprar suas roupas.
Nesse mesmo desfile eles começaram uma parceria com Cristine Ufan, uma japonesa que é designer de assessórios, que ensinava misses a se portar.
Na coleção seguinte (Inverno/2005) a marca explodiu comercialmente, a partir de então a Neon virou o trabalho principal na vida de Rita e Dudu. Nesse inverno eles conseguiram vender mais do que o dobro do que vendiam em outras coleções.
No Verão/ 2007 eles fizeram uma coleção toda inspirada no samba, tema que possui forte ligação com a história da marca. Sambistas são como eles, passam a vida toda usando terno de linho branco. O estilo nunca muda!
O estilo não muda a cada seis meses, ele se constrói ao longo de uma vida. Estilo é moda com alma, a essência é sempre a mesma. (Dudu Bertholini)
A música “No surprises” do Radiohead, serviu de trilha sonora para o desfile – numa divertida alusão às recorrentes críticas sobre a marca, justamente pela manutenção de elementos invariáveis. E, ironicamente, nessa coleção “todos visualizaram uma super inovação”, explica o desencanado estilista.
Dudu parece sincero ao afirmar que não sofre com as críticas. Ambos têm segurança e confiam no seu trabalho, por isso não pretendem mudar apenas para agradar aos críticos. Mesmo assim, eles reconhecem a validade dessa análise
“Críticas negativas têm sempre algum ponto válido, que se bem absorvidos podem causar evolução. Já quando a crítica é muito positiva é preciso desconfiar”, ensina Bertholini.
A Neon tem um target super democrático. Veste mulheres de 15 a 70 anos. Suas peças vão do PP à amplos kaftas que servem em qualquer corpo, sem restrições. O fato é motivo de orgulho para os criadores, que tanto pregam essa liberdade-democrática na moda.
Questionados sobre a relação da marca com o movimento da tropicália eles explicaram que o paralelo é super possível. A Neon é pura liberdade nas formas e nas cores, o modo de expressão é livre, assim como na Tropicália.
A ligação com o tropicalismo tem tudo a ver com ABRAVANAÇÃO, movimento criado pelo artista plástico (e BFF da dupla) Rick Castro, que significa libertar, expressar seu “eu interior”! Isso tem a ver com usar roupas espalhafatosas, fazer gestos largos, não ter vergonha de parecer ridículo – e isso tem tudo a ver com o que faziam nossos saudosos tropicalistas.
A última pergunta da noite – que teve cara de primeira – foi sobre como começou a relação dos dois com a moda.
Para Rita, o contato foi através da mãe, que era dona da Acessórios Modernos, marca famosa nos anos 80. Já Dudu, explicou que desde muito criança se emocionava com gente que se comunicava de uma maneira livre através da moda.
Alguém duvida que ele seguiu seus exemplos de liberdade-fashion à risca?
Pri.
Moda Insights – Spirito Santo
11/05/10
“Onde os empreendedores vêem oportunidades, os depressivos vêem perigo” (Andreas)
Os irmãos Andreas e Frederico Renner Mentz fazem parte da quarta geração da família Renner. Moda para eles era – desde sempre – vivência familiar, fazia parte das conversas nos almoços de domingo. Porém, apesar do exemplo, criar moda não foi a primeira escolha para nenhum dos dois.
Andreas (o mais pé no chão, responsável pela parte comercial da marca) se formou em Administração de Empresas com ênfase em Análise de Sistemas. Já Fred (o criativo da dupla) é bacharel em Direito e advogou por quase três anos, até entrar na sociedade com o irmão. Por terem seguido profissões mais tradicionais, num primeiro momento, ambos sentiam dificuldade na hora de comprar ternos – que sempre pareciam muito caretas.
Unidos pela vontade de criar uma alfaiataria menos careta, em 2006 eles criaram a Spirito Santo, marca que vem se consolidando no cenário gaúcho por aliar qualidade à inovação.
Andreas abriu a palestra dizendo que cada marca tem que refletir sua verdade (que nem sempre é igual à verdade do concorrente). Ele citou os principais fatores para o sucesso da marca:
- CORAGEM: Para largar carreiras formais e estáveis e se aventurar;
- CORPO, ALMA E DINHEIRO: Investimento é importantíssimo. A primeira loja da marca – a concept store na 24 de Outubro – foi caríssima. Nove meses depois, eles já investiram em uma loja em Punta del Este;
- NÃO FOCAR NA CONCORRÊNCIA: Se eles tivessem se preocupado com o que os outros estavam fazendo, eles teriam “careteado” os ternos e perdido essa identidade incrível da marca;
- TRABALHAR COM PAIXÃO: Amar o que faz, acima de tudo;
- NOVIDADE: O comercial tem sede de venda e o estilo tem sede de inovação. Uma coisa sem a outra não funciona. Novidade é tendência que vende;
- ALEGRIA E ENTUSIASMO: Porque em nenhuma circunstância o trabalho deve parecer uma tortura;
- VALORIZAR E CONFIAR NA EQUIPE: Os vendedores quando não estão atendendo são orientados a se informar sobre moda, ler revistas e visitar uma lista de sites bacanas. Todos devem adquirir know-how para transmitir segurança aos clientes;
- PACIÊNCIA E DISCIPLINA: Uma marca exige tempo. Com um passo de cada vez se chega longe;
- MARCA É NEGÓCIO: Não basta focar na criação, é necessário investir em um plano de negócio.
Fred deu seqüência falando sobre o processo criativo da Spirito Santo, enfatizando o slogan “Alfaiataria com alma”. Não se trata somente de um terno, ele explica. Tem a ver com paixão pelo detalhe.
Um exemplo dessa ideologia perfeccionista é a concept store, uma loja moderna, com cara jovem, som bacana e vendedores que, necessariamente, entendem de música e têm condições de estabelecer longas conversas sobre o assunto – algumas vezes os clientes chegam a passar horas, vivenciando toda a experiência que a loja proporciona.
As roupas são pensadas e desenvolvidas de maneira moderna, como se tivessem sido feitas por um alfaiate. O objetivo é “buscar o diferente onde todo mundo só vê o igual”. Cada detalhe, como alinhavo colorido, silk nas costas, ternos estampados, são exaustivamente pensados.
É preciso ousar, transgredir, mas sem jamais deixar de lado a qualidade do produto. A idéia não é apenas apenas parecer rock’n’roll, mas também priorizar a qualidade do corte e do tecido, especialmente em razão da história da família.
Eles não anunciam em outdoors. A divulgação é 100% pela internet. Famosos por realizarem ações de marketing diferenciadas, os irmãos não entram com o nome da Spirito Santo para ser apenas mais um “apoiadorzinho”, segundo o próprio Fred.
Prova disso é que já na primeira coleção eles fizeram um show de divulgação, com a banda Cachorro Grande – em frente à loja – o que, inevitavelmente, fez com que a rua inteira parasse para assistir. Na temporada seguinte a fórmula foi repetida, dessa vez com a banda Acústicos e Valvulados. Além disso, músicos como Frejat e Lobão já desfilaram para a marca.
Em virtude da forte ligação de Fred com a música, muitos ícones do rock já inspiraram coleções da marca, entre eles David Bowie, Bob Dylan e Beatles.
É inegável que moda masculina vêm ganhando espaço nos últimos tempos. Prova disso é que as marcas em maior ascensão no Rio Grande do Sul, são justamente aquelas voltadas para o público masculino.
Baita presença de spirito desses guris.
Pri.









































