Saturou
Quando a moda se orkutiza
22/07/10
A moda desfilada nas passarelas de Londres, Paris, Nova Iorque e Milão nasce hermética e vai se popularizando. Nesse processo, ela acaba perdendo contexto e conteúdo. O que sobra? Dicas, truques, termos pontuais, releases e fotos, muitas fotos. São esses os recursos responsáveis por sua inclusão digital e televisiva. Num culto histérico à futilidade todos enaltecem a proximidade do mundinho fashion.
Uma infinidade de mídias vem aderindo às possibilidades mais populares da moda. A novela Tititi é um ótimo exemplo. Antes do folhetim ir ao ar, blogueiras famosas foram recepcionadas no Projac, e trataram de gerar curiosidade em seus leitores, através de deslumbrados posts sobre figurinos, referências e cenários. Já no capítulo de estréria, Alexandre Herchcovitch desfilou algumas peças de sua última coleção – apresentada no SPFW -, com direito a Erika Palomino e Maria Prata na platéia. Enquanto isso, no twitter, todos os Trending Topics BR eram relativos à novela. As estratégias de marketing parecem ter funcionado muito bem.
Todos assistem, todos comentam, todos se sentem especiais por captarem as semelhanças entre Tavi e a filha de Jacques Leclair. Todos? Não sejamos tão otimistas. É provável que nem 5% dos noveleiros conheçam a blogueira prodígio. Ou seja, não se animem, pois a referência tende a se diluir cada vez mais ao longo da trama. O lance da Moda acabará resumido à briga dos personagens centrais, fazedores de vestidos, aposto. Mesmo assim, Tititi será sempre conhecida como a novela da moda.
Numa manhã dessa mesma semana, Ana Maria Braga (fazendo merchan de operadora telefônica) ligou para desejar feliz aniversário ao Alexandre Herchcovitch e aproveitou a ocasião para fazer perguntinhas como “A coleção foi desenvolvida especialmente para a novela?” e a clássica “Você apostou em quais tendências para a próxima estação? Agora, muitas donas de casa já podem se orgulhar em conhecer o famoso estilista que apareceu na novela. Aliás, com alguma sorte devem conhecer até Dudu Bertholini, que na época da copa compareceu ao programa para opinar em um concurso de culinária regional. Sem dizer nada sobre seu trabalho, fez uma bela figuração. Ah, que lindo esse ‘kafka’ colorido…
Enquanto isso, na blogosfera, permanecem as já usuais tendencinhas-mastigadas-para-todos! Entre uma infinidade de recursos visuais, os olhares giram. As elucubrações sobre aspectos implícitos perderam lugar para as frases fáceis e feitas. Não é preciso ler quando se tem figuras. O velho clichê “uma imagem diz mais do que mil palavras” virou lei (taí o Tumblr que não me deixa mentir). Pra que poesia quando se tem histeria? As modas da novela são só mais um assunto para alimentar tudo isso.
Em contrapartida, a evasão da moda vem ganhando talentosos adeptos. As Gêmeas (dupla de estilistas em ascensão na Casa de Criadores) acabou de anunciar seu fim. O motivo? “Até agora estávamos tentando conciliar uma coisa com a outra: moda com fotografia, escrita, e tal, e trazer nossas novas paixões pras coleções. Mas no último desfile sentimos que havia chegado o momento de optar, que ali acabava uma fase da nossa vida”, foi o que Isadora Krieger disse à Lilian Pacce. Lamentável.
A moda (leia-se: tudo que gira em torno de vestuário produzível e usável) parece não ser mais suficiente para instigar mentes criativas. O clássico exemplo disso é Jum Nakao, que há seis anos se despediu das passarelas depois do icônico projeto A costura do invisível. Agora ele viaja o Brasil dando aulas de modelagem e promovendo instalações artísticas, como no último SPFW. Quanto às coleções de moda? Só volta se for pra inovar novamente. Fazer mais do mesmo em troca de dinheiro – ou popularidade – parece não ser opção pra todo mundo. Ufa.
Se a moda se orkutizou, podem apostar que o número de orkuticídios continuará aumentando. Aliás, ando pensando seriamente em parar de ser do contra e começar a escrever sobre o processo de acasalamento das borboletas australianas.
Pri. | @all_ice
Slow fashion, Slow blogging
18/06/10
O mundo está cada vez mais veloz e percebemos o tempo como mais reduzido a cada dia. Ninguém tem tempo. NUNCA. Ou a gente trabalha mais do que deveria, ou a gente se obriga a fazer um monte de coisas para não morrer de ansiedade tentando acompanhar o ritmo dos que nos cercam.
A única coisa capaz de nos fazer parar é uma crise: ou externa, ou interna (no caso de uma doença ou pane geral em nosso sistema).
O mundo parou depois do 11 de setembro, aquele. O mundo parou em 2008 quando os Estados Unidos quase foram à banca rota (percebem um padrão? sempre Eles). Foram os dois últimos fatos, me ocorrendo agora, que fizeram o mundo desacelerar e olhar para si mesmo com uma cara de “o que estamos fazendo?”.
Não foi à toa que logo após o pico da última crise econômica, em meados de 2008 (pelo menos o setor que eu trabalhava sentiu os efeitos logo de cara), começou a se falar em Slow Fashion. Um conceito baseado em qualidade sobrepondo à quantidade que valoriza produtos feitos à mão e sob medida, entregando ao consumidor peças únicas, mais duráveis e atemporais, contrariando “tendências” que duram apenas uma estação.
Estabilizada a crise, a moda ainda percorre seu ciclo de uma maneira very fast. Dos desfiles para as araras em 24 horas. Das araras para as ruas em 48. Para autenticar esse ritmo acelerado, os blogs acompanham as novidades com olhos atentos (às vezes, vários pares deles) e trazem para as massas lançamentos, imagens, merchandising e opiniões.
Sinceridade? Eu não leio mais blogs que postam mais de um texto por dia. Eu não leio mais blogs que postam todos os dias. Fico extremamente angustiada em ver tantos produtos, tantos looks, tantas promoções, tantas opções. Essa avalanche informativa não ajuda ou influencia meu poder de compra e muito menos minhas escolhas por determinadas marcas (aliás, algumas netnografias já apontam que amigos virtuais tem quase 0% de poder de influência na escolha e compra de produtos).
Eu gosto de ler. Prefiro ler textos longos e bem escritos, daqueles que ficam marinando por um dia ou dois. Mesmo que isso não permita ao seu autor postagens diárias. Gosto de textos revisados, corrigidos, relidos. É uma pena que a linguagem dos blogs seja tão mini, tão visual. Imagens são belas e me fascinam. Algumas montagens até fazem conexões inacreditáveis entre décadas, pessoas e por aí vai. Mas são minorias.
Fico feliz de conhecer algumas dessas pessoas com conteúdo de moda mais heavy que, mesmo quando usam apenas imagens, conseguem transpor idéias próprias e não apenas divulgar produtos com a mesma rapidez que eles surgem e desaparecem.
Assim como o slow fashion, eu gostaria de presenciar um movimento de slow blogging: textos mais perenes, atemporais e de qualidade. Bem pensados, costurados e escritos.
Fê. | @fernandajaques
Nike Shoks não rende foto no Face Hunter
16/05/10
O Face Hunter, do fotógrafo suíço Yvan Rodic é o quarto blog de moda mais relevante do mundo segundo a lista da Signature9. Suas fotos já foram compiladas em um livro que é sucesso de vendas. Ou seja, o cara sabe muito de street style!
No último fim de semana Rodic compareceu ao lançamento da loja Surface to Air em São Paulo, onde concedeu entrevista para o IG Gente. Entre vários pontos polêmicos, um, em especial, chamou minha atenção. Yvan Rodic disse exatamente tudo o que sempre achei sobre o essa interminável febre de Nike Shoks, mas como eu (ainda) não tenho tanta credibilidade quanto ele, resolvi transcrever:
“iG: Qual a pior tendência da moda, no momento?
Yvan: Especialmente no Brasil, tenho visto muitas mulheres usando bolsa Louis Vuitton com tênis de mola. Elas querem ser elegantes, mas usam tênis de corrida! Se fosse um tênis bonito, tudo bem, mas não de corrida. Foi a pior coisa que vi por aqui, andando no shopping.”
Pisadas amortecidas para sedentários sem critério$.
Pri.
Seu universo não é assim tão big?
16/05/10
Se você achava que a última tendência de beauté era o esmalte Nouvelle Vague da Chanel – que já tem seu genérico Big Universo (um tal de ‘acqua’) – é melhor rever seus conceitos.
Lady Gaga apareceu publicamente assim:
E causou polêmica. Afinal, cantinho comido e unha sem esmalte???? Deve ter menina pirando sem saber o que faz agora!
Nenhum look conceito seria tão subversivo quanto essa mãozinha mal tratada, mas já tem site criticando. Achei visionário.
Pri.










