Em Sistema da Moda, Roland Barthes tece uma complexa análise semântica sobre as roupas femininas a partir da pesquisa em artigos da imprensa, relatando tanto a forma como esse discurso é estruturado quanto o significado que ele tem sobre a moda.

Dessa forma, apresenta a contribuição do discurso verbal para todo o sistema da moda que, no fim das contas, é o que acaba nos motivando a comprar até que o limite do cartão de crédito permita.

O livro, escrito entre 1957 e 1963 (e lançado em 1967), é um clássico da semiologia aplicada e, como tudo que envolve semiótica, não é para meio entendedor.

Ler Barthes, especialmente esse texto, é ler algo dificílimo. Até conseguir entrar na viagem do autor e começar a entender sua loucura em desvendar todo o sistema de significações da moda somente através de textos você estará no meio do livro (que é bem grossinho).

Ele é um andante da contramão ao seguir esse caminho textual dentro de um universo absolutamente visual.

Mas, é o tipo de leitura que quem quer realmente entender de moda precisa fazer (o mesmo vale para o Império do Efêmero, de Lipovetsky, que também não é uma leitura muito deliciosa, mas necessária, e embora muita gente diga ter lido, duvido que a metade tenha entendido de fato – e creio estar incluída na metade que não entendeu a plenitude da coisa #shame).

A leitura é super válida (aos corajosos e bem dispostos), pois o conteúdo não está em nada ultrapassado.

Claro que você encontra Sistema da Moda na Livraria Cultura. Claro que eles não nos pagam para dizer isso.

P.S.: O batom se chama Passion e é da Avon (Sabe aquela linha que deixa os lábios ardidos até inchar para parecerem mais volumosos? Essa).

Fê. | @fernandajaques