Biquinho da Semana – Sistema da Moda
Em Sistema da Moda, Roland Barthes tece uma complexa análise semântica sobre as roupas femininas a partir da pesquisa em artigos da imprensa, relatando tanto a forma como esse discurso é estruturado quanto o significado que ele tem sobre a moda.
Dessa forma, apresenta a contribuição do discurso verbal para todo o sistema da moda que, no fim das contas, é o que acaba nos motivando a comprar até que o limite do cartão de crédito permita.
O livro, escrito entre 1957 e 1963 (e lançado em 1967), é um clássico da semiologia aplicada e, como tudo que envolve semiótica, não é para meio entendedor.
Ler Barthes, especialmente esse texto, é ler algo dificílimo. Até conseguir entrar na viagem do autor e começar a entender sua loucura em desvendar todo o sistema de significações da moda somente através de textos você estará no meio do livro (que é bem grossinho).
Ele é um andante da contramão ao seguir esse caminho textual dentro de um universo absolutamente visual.
Mas, é o tipo de leitura que quem quer realmente entender de moda precisa fazer (o mesmo vale para o Império do Efêmero, de Lipovetsky, que também não é uma leitura muito deliciosa, mas necessária, e embora muita gente diga ter lido, duvido que a metade tenha entendido de fato – e creio estar incluída na metade que não entendeu a plenitude da coisa #shame).
A leitura é super válida (aos corajosos e bem dispostos), pois o conteúdo não está em nada ultrapassado.
Claro que você encontra Sistema da Moda na Livraria Cultura. Claro que eles não nos pagam para dizer isso.
P.S.: O batom se chama Passion e é da Avon (Sabe aquela linha que deixa os lábios ardidos até inchar para parecerem mais volumosos? Essa).
Fê. | @fernandajaques
| Print article | This entry was posted by Fernanda Jaques on 30 de julho de 2010 at 18:02, and is filed under Esmalte da semana. Follow any responses to this post through RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |








há 1 mês atrás
Nunca li Sistema Moda, mas pelo meu conhecimento da obra de Barthes tenho uma ideia do que encontrar. O Império do Efêmero eu li na faculdade, ele representa muito o pensamento sobre indústria cultural que é cultivado no curso de comunicação da minha querida ex-faculdade (e o que eu levo pra vida e para o blog). Com certeza não é uma leitura fácil para os não iniciados no assunto e acho que ele é muito melhor aproveitado para quem tem base de Comunicação (num viés mais novo da coisa, não naquele pensamento apocalíptico adorniano anos 60). Vamos bater um papo qualquer dia sobre ele, vou amar
há 1 mês atrás
enquanto uns criticam (o blog por falar de Barthes), encontro alguém pra discutir sobre.
adoro os contrapontos na vida na web.
o papo tá marcado (desde que regado a crericot), deixa só eu ir a são paulo.
há 1 mês atrás
O batom tá tão lindo que me animou a dar chance pra esses “inchadores”. Rs… Tentei há algum tempo o da Victoria’s Secret e não gostei mto!
Já indo pra Livraria Cultura ver o livro…
Bjocas.
há 1 mês atrás
é, a sensação não é das melhores.
tipo, mesmo de salto alto, continuo nanica e mesmo com esse batom, minha boca continua pequena.
a sutileza da diferença é tão mínima que não compensa o sofrimento, sabe?
OBS: fico tão feliz quando vejo que tem bastante gente que gosta de semiótica.
há 1 mês atrás
Nessa linha também tem um livro bacana e de linguagem muito mais acessivel, ‘A linguagem das roupas’ – Alison Lurie. Fala de significados em determinadas épocas. Bem válido.
Quanto ao batom, gosto do efeito, acho o ardido legal, mas nenhum deles é mate. Todos tem aqueles brilhinhos insuportáveis.
há 1 mês atrás
Ainda não conhecia esse livro do Barthes. Dele só li “Câmara Clara”, também muito interessante, onde ele discorre sobre a imagem fotográfica numa linguagem (acho que) bem mais descontraída.
Também me incluo na parte dos que não compreenderam totalmente a obra de Lipovetsky, mas nada que uma insistência taurina não resolva.