Facebook. Pinterest. Twitter. Instagram. Foursquare. Google Reader. Elle. Vogue. Piauí. Nylon. L’officiel Brasil, agora. Faculdade. 36 créditos. Trabalho. Campus Party Brasil, Campus Party Recife. Filmes, muitos deles. Mad Men. Game of Thrones. New Girl. Girls. Etc de similares girlies. Vida social. Parcas 24 horas/dia. Quem tem tempo para a tal ‘literatura de lazer’? Eu. E qualquer um. A questão é que ~ de verdade ~ estamos perdendo os livros de lado (eles declaram morte ao livro de papel, mas, nessa perspectiva, o e-reader também está com os dias contados).
Apesar de estar vivendo um dos anos mais frenéticos dos meus 28, resolvi me colocar a tal ~literatura de lazer~ como meta. Coisa que, há alguns anos, fazia parte da minha rotina naturalmente. Lá pelo fim de março, vi os últimos 5 minutos de um documentário sobre o Steve Jobs. Nele, o dono da maça dizia algo do tipo: ‘O mundo que conhecemos hoje foi construído por pessoas exatamente como nós’. Achei aquilo bem doido, lembrei que ele já tinha flertado com aluscinógenos – o que talvez explicasse a frase amalucada -, mesmo assim achei que valia ler a bio completa que me perseguia em todas as vitrines, banners em sites e prateleira-destaque de livrarias. A leitura foi tão incrível que me fez voltar a ler com alguma regularidade. Desde então, foram cinco livros esse ano.
Steve Jobs | Walter Isaacson
Ao contrário do que se possa imaginar, o conhecimento de Jobs era muito mais emocional do que técnico. De um jeito meio turrão, sabia exatamente como inspirar pessoas. Fugia de regras bobas, tanto quanto da mediocridade. Não era simpático, mas talentoso (e isso, apesar de nem todo mundo entender, é bem mais importante). ‘Se você quiser viver sua vida de maneira criativa, como artista, não pode olhar muito para trás. Precisa estar disposto a pegar tudo o que fez e quem foi e jogar fora.’ (Steve Jobs)
Andy Warhol | Mérieam Korichi
A biografia foca na relação de Warhol com outros artistas da Pop Art como Roy Lichtenstein, Jasper Johns, Claes Oldenburg e James Rosenquist. Senti falta de mais histórias Pré-Factory, mas como se trata de um pocket book, não dá pra exigir tanto. A percepção de sua arte é destaque – em especial quando ele renega as telas e passa a se dedicar integralmente ao cinema underground. Além disso, o temperamento ~estranho~ do artista fica bem mais evidente do que naquele filme sobre a Edie Sedgwick. Rápido de ler, o livro dá uma boa pincelada nos conceitos da Pop Art.
A morte the Bunny Munro | Nick Cave
Comprei pela capa e amei (também) o conteúdo. De leitura fácil, ideal para uma rede na praia - embora eu tenha lido debaixo das cobertas, nos 2 graus do pré-inverno gaúcho -, o romance do músico australiano tem ritmo ligeiro e linguagem filmográfica. O protagonista é viciado em sexo e álcool – tanto quanto Bukowski, mas talvez seus pensamentos não sejam tão diferentes da maioria dos homens. Um pouquinho mais exagerados, talvez. Apenas me incomoda o fato do título entregar a história toda.
Pequenas Epifanias | Caio Fernando Abreu
Tudo o que eu conhecia dele até então se limitava às citações nas mídias sociais. O livro é um compilado de crônicas – publicadas no Estadão e na Zero Hora – que me pareceu meio chato de início. A partir da metade, quando ele descobre que está com Aids, os textos ficam mais viscerais e interessantes. Entre os temas mais abordados estão amigos escritores e atores, seu jardim, a doença, São Paulo e Porto Alegre. A minha crônica predileta fala sobre o clima bipolar da capital gaúcha (onde moro), quem já passou algum tempo aqui sabe o quão crítico é. ‘É preciso amar Porto Alegre nesses entretons, nos outros dar o fora. O próprio Érico parecia saber muito bem disso, vivia dando o fora. E voltando, claro. Pois melhor do que morar aqui, é voltar para cá. Melhor ainda do que voltar para cá, é partir daqui e assim por diante, numa relação que não se resolve nunca’.
A mulher mais linda da cidade e outras histórias | Charles Bukowski
O conto que dá título ao livro é um dos melhores e mais tristes. O velho safado é um bagaceiro nato, e vem daí toda graça de suas histórias. No texto ‘Você aconselharia alguém a ser escritor?’, ele desdenha por completo do estereótipo de seus ~colegas de profissão~, se mostrando descrente do real interesse das pessoas por literatura. Livinho ligeiro, desses para ler numa manhã de domingo preguiçosa.
Frida: a biografia | Hayden Herrera
Último da meia-dúzia que me comprometi ler no ano, a biografia da Frida Kahlo tem mais de 500 páginas de texto, além de fotos e obras da pintora mexicana. Qualquer um que já tenha visto o belíssimo filme protagonizado por Salma Hayek, ou mesmo já leu algum verbete sobre Frida na Wikipédia, pode esperar uma leitura triste, emocionante. Começarei a ler hoje!
Alguma dica para os próximos?
Adorei sua listinha, Pri! Eu tenho essa mania louca de sempre andar com um livro dentro da bolsa, daí aproveito pra ler em todos aqueles minutos do dia que a gente consegue parar pelo menos um pouco: dentro do ônibus, em viagens, quando saio do restaurante e to esperando o horário pra entrar na redação, e por aí vai. Mas sentar, com tempo, e ler um bom livro é um prazer sem fim, que eu espero sempre ter nessa vida. E ah, eu recomendaria “Orgulho e Preconceito” da Jane Austen. É um clássico, mas eu só fui lê-lo há pouco e acho que ninguém podia passar pela vida sem conhecer essa história <3
um livro que eu curti muito ler e foi rapidinho é o “blink”, já leu?