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Teoria trendy
10/07/10
A pesquisa é super importante no processo de criação. Ela orienta o criador e o possibilita entender o que está no ar. Essas relações entre a coleta de dados orientadores e a produção industrial foi tema do último Design Mais – Macrotendências e Design, que aconteceu no último dia 8, no Moinhos Shopping (em Porto Alegre), e contou com a participação de Suzana Saulquin e Eduardo Motta.
O tema é super teórico, porém muito atual. Todo mundo adora indicar quais são as “trends” do momento. Com a autoridade de um importante detentor de conexão com a internet, qualquer um vomita o termo como forma de legitimar novidades (ou nem tanto). Afinal, se é novo, é bacana! Nesse cenário onde o in vira out no intervalo de uma semana, as previsões tomam uma proporção gigantesca. É preciso pensar lá na frente, para que o produto produzido hoje não esteja ultrapassado amanhã.
Dessa forma, é imprescindível que o designer seja, sobretudo, um intelectual, que busque informação o tempo todo. A criação surge de mentes inquietas, curiosas, que fogem do pensamento analógico e têm capacidade de construir pontes de sentidos entre os vários aspectos sociais.
No entanto, como bem lembrou Motta, “previsões são limitadas, é preciso retirar seu caráter autoritário”. Para se chegar a resultados mais interessantes, a intuição e a sensibilidade devem entrar na equação das trends, segundo ele. Ou seja, dados concretos dão suporte mas não dão a solução.
Mas, o que são afinal as macrotendências? Segundo o pesquisador, macrotendências são grandes movimentos de cultura. Já as tendências são recortes temporais, feitos sazonalmente. Para Susana, tendências de moda e tendências sociais são interessantes na análise do que se usa, quando se usa e como se usa determinado adereço.
A pesquisadora lembrou que a divisão “primavera/verão” e “outono/inverno” veio com a sociedade industrial, a partir de 1960. Naquela época, os ciclos duravam muito mais tempo. Hoje em dia, a divisão é vista da seguinte forma:
- Microtendências: duram 2 anos
- Tendências de médio prazo: duram 6 anos
- Macrotendências: duram 12 anos
Esses movimentos não englobam apenas moda, mas qualquer movimento social, como artes, música e literatura.
Quanto à moda, especificamente, ela pode ser traduzida em paradoxo entre experiência indivudual e produção massiva. “As pessoas se apropriam dos objetos de uma maneira única, imprimindo neles sua identidade”, apontou Eduardo Motta. Nesse sentido, a tendência atual é a produção para pequenos nichos, onde a identidade se traduz de forma mais expressiva.
Nada é exato, mas a pesquisa aponta caminhos importantes para os designers. Essa pesquisa de tendências é feita através de metodologias que transformam fenômenos de comportamentos socioculturais em informações e que servem para orientar o mercado, através de antecipações do que (provavelmente) está por vir, auxiliando na identificação de mercados emergentes.
Na próxima vez que você se deparar com aquela foto tirada de forma furtiva no provador de uma loja de fast fashion, em uma montagem poluída de photoshop e uma indicação “tem que ter”, vale lembrar que existe uma pesquisa gigantesca por trás do desenvolvimento de cada “tendencinha”.
Pri. | @all_ice








